Um vazamento de dados expôs informações de mais de 40 mil funcionários do Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos (DHS), incluindo agentes que atuam em vigilância, operações especiais e atividades de inteligência. O material foi divulgado na quarta-feira pelo Distributed Denial of Secrets, organização sem fins lucrativos dedicada à transparência de dados, segundo reportagem da Reuters.
Entre as informações publicadas estão nomes, números de telefone, endereços de e-mail, cargos e grupos de comunicação interna. O conjunto inclui funcionários do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE), da Alfândega e Proteção de Fronteiras (CBP), da unidade de Investigações de Segurança Interna (HSI) e da Agência de Segurança Cibernética e de Infraestrutura (CISA), entre outros órgãos vinculados ao DHS.
Em comunicado, o departamento afirmou estar ciente de um possível vazamento e informou que trabalha para responder à situação e proteger seus funcionários. A agência acrescentou que divulgará atualizações quando houver mais informações disponíveis.
Dados revelam funções e estrutura interna
Segundo a Reuters, parte do material permite identificar agentes designados para atividades de vigilância, perícia computacional, operações especiais e trabalho infiltrado. Também foram encontradas informações não públicas sobre a estrutura interna do departamento e sobre programas ou operações anteriormente não divulgados.
A agência de notícias não conseguiu verificar a autenticidade de todo o conjunto. Entretanto, cruzou informações de seis funcionários com registros de agências de crédito e dados disponíveis em uma plataforma de inteligência sobre vazamentos.
A Reuters também entrou em contato diretamente com três funcionários e confirmou números de telefone e outros detalhes. Um deles afirmou que ainda não sabia da possível exposição de suas informações.
Embora alguns registros correspondessem a dados disponíveis em perfis profissionais no LinkedIn, outros continham informações internas do DHS.
Origem do material ainda não foi confirmada
O Distributed Denial of Secrets atribuiu a obtenção dos dados a um grupo que se apresenta como “Departamento da Paz”. Segundo Emma Best, cofundadora da organização, as informações teriam sido coletadas por meio do serviço de autenticação da Okta utilizado pelo DHS.
A Reuters não conseguiu confirmar essa versão. Procurada pela agência, a Okta afirmou que seus sistemas estão seguros e que não há evidências de comprometimento de seus dados ou de sua infraestrutura.
O grupo apontado como responsável não respondeu imediatamente ao pedido de comentário da Reuters. Em uma declaração que acompanhava o material, afirmou que pretendia apoiar esforços para limitar danos que atribui à atuação do DHS. O mesmo grupo já havia reivindicado, em março, uma invasão envolvendo documentos de contratos do departamento com fornecedores externos.
O Distributed Denial of Secrets também informou que foi desenvolvida uma ferramenta de busca para consultar o material. Segundo a organização, o objetivo seria auxiliar investigações jornalísticas, pedidos de acesso a documentos públicos e a fiscalização do Congresso.
Outros episódios atingiram órgãos federais
O caso se soma a outros episódios recentes envolvendo informações de servidores e integrantes das forças de segurança dos Estados Unidos.
Em setembro, o grupo de hackers ShinyHunters afirmou ter roubado dados do FBI, incluindo informações profissionais sensíveis e registros médicos de funcionários. Na semana passada, o Departamento de Defesa foi alvo de uma ação coletiva relacionada a um vazamento que teria exposto dados de milhões de militares e ex-militares.
No caso do DHS, a extensão do possível comprometimento e a origem dos dados permanecem sob apuração.
Com informações da Reuters.





