Conhecido por apoiar o presidente Donald Trump e por defender uma política rigorosa de combate ao crime e de aplicação das leis migratórias, o xerife Grady Judd, do condado de Polk, na Flórida, defendeu a criação de um caminho legal para que determinados imigrantes sem documentação possam permanecer nos Estados Unidos.
As declarações foram feitas durante uma reunião do State Immigration Enforcement Council, conselho estadual ligado às ações de fiscalização migratória na Flórida e presidido por Judd.
O xerife argumentou que as autoridades deveriam estabelecer uma distinção entre imigrantes envolvidos em atividades criminosas e aqueles que vivem há anos no país, trabalham, sustentam suas famílias e não possuem antecedentes criminais.
Segundo Judd, existem imigrantes que levam os filhos para a escola, frequentam igrejas, trabalham diariamente e contribuem com suas comunidades. Para ele, essas pessoas estão, na prática, vivendo o chamado “sonho americano” e deveriam ter uma oportunidade de resolver sua situação migratória.
A proposta defendida pelo xerife não seria uma regularização automática. Judd mencionou a possibilidade de estabelecer requisitos para que essas pessoas pudessem permanecer legalmente no país, incluindo pagamento de multa, aprendizado do inglês e demonstração de integração positiva à sociedade americana.
Ao mesmo tempo, o xerife defendeu que os esforços das autoridades continuem concentrados na localização e retirada de imigrantes envolvidos em crimes ou que representem ameaça às comunidades.
As declarações chamaram atenção justamente pelo histórico de Judd. O xerife é um apoiador de Trump e mantém uma postura favorável à cooperação das forças policiais da Flórida com as autoridades federais responsáveis pela fiscalização das leis de imigração.
Após a repercussão de suas declarações, Judd deixou claro que sua posição não representa um rompimento com o presidente, com o governador da Flórida, Ron DeSantis, ou com o Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE). Ele reafirmou seu apoio à fiscalização migratória, mas argumentou que deveria existir uma solução diferente para pessoas sem antecedentes criminais que estejam trabalhando e integradas às comunidades.
Outros integrantes do conselho, incluindo representantes das forças de segurança da Flórida, também manifestaram preocupação com a situação de imigrantes sem antecedentes criminais. O grupo discutiu a preparação de uma carta destinada ao presidente e a integrantes do Congresso para apresentar suas considerações sobre o tema.
A eventual criação de um mecanismo de regularização, entretanto, não depende de Judd ou das autoridades estaduais da Flórida. Mudanças dessa natureza na legislação migratória precisam passar pelo Congresso dos Estados Unidos.
A posição defendida pelo xerife acrescenta uma nova dimensão ao debate sobre imigração: embora apoie a retirada de pessoas envolvidas em crimes e a aplicação das leis existentes, Judd sustenta que imigrantes que trabalham, cuidam de suas famílias e não possuem antecedentes deveriam ter uma possibilidade legal de permanecer nos Estados Unidos.





