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Relatório aponta falhas na proteção de menores em dioceses de Massachusetts

Uma investigação conduzida pela Procuradoria-Geral de Massachusetts revelou a dimensão de décadas de abuso sexual infantil envolvendo integrantes do clero católico no estado. O relatório, divulgado nesta quarta-feira…

Publicado em 10/05/26
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Relatório aponta falhas na proteção de menores em dioceses de Massachusetts

Uma investigação conduzida pela Procuradoria-Geral de Massachusetts revelou a dimensão de décadas de abuso sexual infantil envolvendo integrantes do clero católico no estado. O relatório, divulgado nesta quarta-feira pela procuradora-geral Andrea Joy Campbell, aponta evidências de que mais de 270 membros do clero abusaram de quase 1.000 crianças nas dioceses de Fall River, Springfield e Worcester.

O trabalho começou em 2019 e envolveu a análise de mais de 300 mil páginas de documentos. Investigadores também entrevistaram mais de 100 pessoas, entre sobreviventes, defensores das vítimas, advogados, religiosos e funcionários ligados às dioceses.

Segundo as conclusões apresentadas pela Procuradoria-Geral, durante décadas houve falhas graves na maneira como lideranças da Igreja responderam a denúncias e sinais de possíveis abusos. Em determinadas situações, padres acusados foram transferidos para outras paróquias sem que as comunidades fossem informadas sobre as razões da mudança.

O relatório também descreve casos de religiosos que retornaram ao ministério depois de passarem por tratamento, mas sem acompanhamento considerado adequado. Em outras situações, os motivos para o afastamento de padres não foram divulgados e denúncias deixaram de ser comunicadas de maneira consistente às autoridades policiais.

Campbell afirmou que a investigação representa uma ampla prestação de contas pública sobre a atuação institucional das três dioceses diante das denúncias de abuso sexual infantil.

O documento reconhece que mudanças significativas foram adotadas pela Igreja Católica desde 2002, quando o escândalo de abusos cometidos por integrantes do clero ganhou repercussão nacional. Entre as medidas estão programas de proteção infantil, verificações de antecedentes e novos procedimentos para o recebimento e a investigação de denúncias.

Apesar dos avanços, os investigadores concluíram que as próprias regras estabelecidas pelas dioceses nem sempre foram seguidas. O relatório identifica problemas que ainda envolvem supervisão, transparência e responsabilização.

Uma das questões destacadas diz respeito à Diocese de Worcester, atualmente a única de Massachusetts que não disponibiliza publicamente uma lista de integrantes do clero considerados acusados de forma crível.

Recomendações e mudanças na lei

A Procuradoria-Geral recomenda que as dioceses adotem procedimentos independentes e uniformes para analisar denúncias, reforcem a fiscalização das restrições aplicadas a religiosos acusados e ampliem a transparência sobre os casos. O relatório também defende que as necessidades e os direitos dos sobreviventes sejam colocados no centro das decisões institucionais.

Além das mudanças dentro da Igreja, o documento propõe alterações na legislação de Massachusetts. Entre elas estão a eliminação do limite de US$ 20 mil relacionado à imunidade de instituições beneficentes em determinadas ações civis envolvendo abuso sexual infantil e o fim do prazo de prescrição para esse tipo de processo.

A possibilidade de responsabilização criminal também foi analisada durante a investigação. Apesar da dimensão dos fatos identificados, nenhuma nova acusação criminal surgiu diretamente do trabalho da Procuradoria-Geral.

Três casos foram encaminhados aos promotores distritais. Um deles, no Condado de Worcester, acabou resultando em acusações criminais.

Em outros episódios, segundo o relatório, uma eventual ação penal tornou-se inviável por diferentes razões: alguns fatos ocorreram antes de mudanças importantes na legislação, outros ultrapassaram o prazo legal para apresentação de acusações e há situações em que as pessoas envolvidas já morreram.

A divulgação do relatório coloca novamente em evidência não apenas a extensão histórica dos abusos cometidos contra crianças, mas também as decisões institucionais que, segundo a investigação, permitiram que denúncias fossem tratadas de maneira inadequada durante décadas.

Fonte: Da redação

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