Um caso recente relatado pelo advogado Danilo Brack, que atua na área de imigração em Massachusetts e Flórida, acendeu um alerta importante para brasileiros que pretendem solicitar o Green Card com base em casamento nos Estados Unidos.
Segundo o profissional, um brasileiro procurou seu escritório com a intenção de dar entrada no pedido de residência permanente por meio do casamento com uma cidadã norte-americana. A princípio, o caso parecia simples e dentro dos padrões exigidos pela legislação imigratória. No entanto, durante a análise detalhada da documentação e do histórico do cliente, surgiu um ponto crítico.
O homem já havia sido casado anteriormente. O divórcio, conforme apresentado, foi realizado por procuração no Brasil. O detalhe que mudou completamente o rumo do processo foi o fato de que, à época da separação, tanto ele quanto a ex-esposa residiam nos Estados Unidos.
De acordo com o advogado, isso significa que o divórcio formalizado no Brasil tinha validade legal naquele país, mas não necessariamente nos Estados Unidos. Na prática, para as autoridades norte-americanas, ele ainda poderia ser considerado legalmente casado com a ex-esposa.
Se o pedido de Green Card tivesse sido protocolado nessas condições, o risco seria elevado. Além da possibilidade de negativa do processo por inconsistência no estado civil, o solicitante poderia enfrentar consequências mais graves, incluindo a abertura de procedimento de remoção (deportação), caso fosse constatada irregularidade ou informação incompatível com a legislação local.
Diante do cenário, a solução foi refazer corretamente o divórcio em território americano, garantindo o reconhecimento legal nos Estados Unidos. Em seguida, foi necessária a reafirmação formal do casamento atual, antes de dar continuidade ao processo migratório. Somente após a regularização completa da situação civil é que o caminho para o pedido de residência se tornou juridicamente seguro.
O caso reforça um ponto frequentemente destacado por especialistas: em matéria de imigração, detalhes aparentemente simples podem ter impacto decisivo. Diferenças entre sistemas jurídicos, especialmente em questões de família e estado civil, podem gerar consequências significativas quando não analisadas com rigor.

A orientação de advogados é clara: antes de iniciar qualquer pedido junto às autoridades migratórias, é fundamental revisar toda a documentação e compreender plenamente o próprio histórico legal. O que parece resolvido em um país pode não ter o mesmo efeito em outro — e, nesse contexto, um erro pode custar muito mais do que tempo e dinheiro.
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