Um esquema interestadual altamente organizado revelou como criminosos conseguiram driblar sistemas de controle nos Estados Unidos para emitir carteiras de motorista de forma ilegal. No centro da investigação está o brasileiro Gabriel Nascimento De Andrade, de 27 anos, que já se declarou culpado e agora aguarda sentença, podendo enfrentar até cinco anos de prisão.
De acordo com autoridades federais, o grupo operava com um modelo estruturado que explorava brechas legais entre estados e utilizava tecnologia e falsificação documental para garantir a aprovação dos candidatos.
O primeiro passo era atrair clientes — muitos deles imigrantes que não atendiam aos requisitos legais — oferecendo a obtenção de carteira de motorista mediante pagamento. Os valores variavam, e os serviços incluíam todo o processo, do início ao fim.
Antes de 2023, quando Massachusetts ainda não permitia a emissão de licenças para indocumentados, os envolvidos direcionavam os clientes para Nova York. Apesar de o estado permitir esse tipo de documento, era obrigatório comprovar residência local — exigência que era fraudada.
Para isso, o grupo fornecia documentos falsificados, como contas de serviços e comprovantes de endereço, simulando que os clientes viviam em Nova York. Em seguida, organizava toda a logística para que eles comparecessem aos órgãos oficiais.
Um dos pontos mais sofisticados do esquema estava na fraude dos exames teóricos. Como o teste online exigia verificação por webcam, os criminosos pediam aos clientes que enviassem fotos previamente encenadas, como se estivessem realizando a prova. Depois, membros da quadrilha faziam o exame no lugar do candidato e utilizavam essas imagens para enganar o sistema de autenticação.
Além disso, certificados obrigatórios de cursos de direção eram falsificados, com assinaturas de autoescolas adulteradas. Com toda a documentação pronta, os candidatos eram levados até unidades do Departamento de Veículos Motorizados (DMV), onde apresentavam os documentos fraudulentos.
Após a emissão, as permissões eram enviadas para endereços controlados pela organização, que posteriormente repassava os documentos aos clientes. O grupo também agendava e acompanhava os testes práticos, garantindo a conclusão de todo o processo.
Com a mudança na lei de Massachusetts em 2023, o esquema foi adaptado. A partir de então, os criminosos passaram a emitir carteiras no próprio estado para pessoas que não residiam ali, utilizando o mesmo método de falsificação de comprovantes de endereço. Em um dos casos citados, o brasileiro recebeu US$ 450 em dinheiro em troca de um documento falso.
As autoridades estimam que mais de 1.000 pessoas participaram do esquema, com pelo menos 600 carteiras emitidas ilegalmente. O grupo teria movimentado centenas de milhares de dólares ao longo de quase quatro anos de atuação.
Gabriel Nascimento De Andrade se declarou culpado por conspiração para produção e posse ilegal de documentos de identificação. O crime prevê: Até 5 anos de prisão; Até 3 anos de liberdade supervisionada; e multa que pode chegar a US$ 250 mil
Após cumprir a pena, ele ainda deverá ser submetido a processo de deportação.
O caso é tratado pelas autoridades como um exemplo de fraude estruturada que compromete a integridade de sistemas públicos e levanta preocupações sobre segurança e controle de identificação nos Estados Unidos.





