Uma nova pesquisa acadêmica está lançando dúvidas sobre os efeitos econômicos da intensificação das políticas de imigração nos Estados Unidos. Segundo o estudo, o aumento das operações de fiscalização e deportação tem reduzido a participação de imigrantes no mercado de trabalho, sem que isso resulte em mais vagas para trabalhadores nascidos no país.
O levantamento indica que o impacto é especialmente visível em setores como construção civil, agricultura e hotelaria — áreas que dependem fortemente da mão de obra imigrante.
Especialistas afirmam que o endurecimento das ações do Departamento de Imigração (ICE, sigla em inglês) está provocando um chamado “efeito inibidor” (“chilling effect”), no qual o medo se espalha muito além das pessoas efetivamente detidas.
Segundo o pesquisador Ryan Allen, da University of Minnesota, muitos imigrantes — inclusive aqueles com status legal — estão evitando sair de casa, trabalhar e consumir por receio de serem abordados pelas autoridades.
“Isso se manifesta na economia local como uma redução da atividade pública, incluindo pessoas que deixam de comparecer ao trabalho e também evitam fazer compras”, explicou o especialista.
Impacto no Arizona
No Arizona, ativistas e beneficiários do programa DACA relatam que o clima de medo e os atrasos na renovação das autorizações de trabalho estão colocando famílias e empresas em situação de incerteza.
Darian Benitez, formado pela Harvard University e engenheiro de software, destacou que muitos imigrantes não são apenas empregados, mas também empregadores e contribuintes ativos da economia americana.
“Muitos de nós somos profissionais e empresários que contribuem significativamente para a economia”, afirmou.
Atrasos em permissões de trabalho
O deputado federal Greg Stanton, democrata do Arizona, alertou que atrasos de vários meses na renovação das permissões de trabalho podem levar milhares de imigrantes a perderem seus empregos sem qualquer culpa.
“Isso não é apenas um inconveniente burocrático. Significa que pessoas podem perder a autorização para trabalhar e, consequentemente, seus empregos”, disse o parlamentar.
Caso comoveu o país
A reportagem também relembra o caso do jovem Kevin González, de 18 anos, cidadão americano com câncer terminal, que morreu um dia após reencontrar os pais no México.
O casal mexicano havia sido detido ao tentar entrar nos Estados Unidos para se despedir do filho. Após forte mobilização, um juiz autorizou a deportação acelerada para o México, permitindo o reencontro poucas horas antes da morte do jovem.
Deportações continuam
Apesar das críticas, o governo Trump mantém a política de deportações em larga escala.
Tom Homan, principal assessor de segurança de fronteira da Casa Branca, afirmou recentemente à CBS News que o governo pretende continuar com as deportações, mas de forma “mais inteligente”.
Consequências econômicas e humanas
Para especialistas, os dados reforçam que o impacto da repressão migratória vai muito além das estatísticas de prisões e deportações.
Além de separar famílias e gerar insegurança, as medidas podem enfraquecer economias locais, reduzir a produtividade e afetar diretamente setores essenciais para o funcionamento do país.





