As autoridades federais de imigração transferiram todos os imigrantes detidos no centro Alligator Alcatraz, nos Everglades, na Flórida, em razão da chegada da temporada de furacões. A medida preventiva ocorre em meio a especulações cada vez maiores de que a instalação, criada durante o governo Trump, possa ser encerrada definitivamente nas próximas semanas.
Em comunicado enviado à imprensa, o Serviço de Imigração e Controle de Aduanas (ICE) informou que a remoção dos detidos foi realizada em parceria com o governo da Flórida. Segundo a agência, a decisão teve como objetivo garantir a segurança dos migrantes diante dos riscos climáticos típicos desta época do ano.
Até agora, as autoridades federais não divulgaram para quais unidades os imigrantes foram transferidos.
O governador da Flórida, Ron DeSantis, voltou a afirmar que o centro de detenção nunca foi concebido para funcionar de forma permanente e que já teria cumprido seu papel dentro da política migratória do estado. Fontes ligadas à operação relataram que o governo estadual vinha estudando uma desmobilização gradual da estrutura ao longo do verão, com orientações para que empresas contratadas iniciassem o processo de desmontagem.
Embora o Departamento de Segurança Interna (DHS) tenha negado anteriormente a existência de uma decisão oficial para fechar a unidade, a agência reconheceu que as necessidades operacionais são avaliadas constantemente. O órgão também destacou a parceria entre o governo federal e a Flórida na execução das políticas de imigração.
Instalado na área do antigo Aeroporto Dade-Collier, em uma região isolada dos Everglades, o centro foi construído rapidamente para ampliar a capacidade de detenção de imigrantes. Dados do ICE apontavam que cerca de 1.400 pessoas estavam alojadas no local em abril.
Críticas e denúncias
Desde sua inauguração, Alligator Alcatraz tornou-se alvo de críticas de organizações ambientais, grupos de direitos humanos e comunidades indígenas. As entidades questionam tanto os impactos ambientais na região dos Everglades quanto as condições enfrentadas pelos detidos.
Relatos de migrantes descrevem calor excessivo, grande quantidade de insetos e dificuldades relacionadas à alimentação e ao conforto dentro da instalação.
Durante visitas realizadas ao local, parlamentares democratas classificaram o centro como inadequado e desumano. Segundo os relatos, os detidos permaneciam em espaços superlotados e em condições consideradas precárias.
As autoridades estaduais e federais, por sua vez, rejeitaram as acusações e sustentam que a unidade atende aos padrões exigidos para centros de detenção nos Estados Unidos.
Recentemente, uma decisão judicial determinou a ampliação do acesso dos imigrantes a assistência jurídica, garantindo ligações confidenciais com advogados e maior facilidade de comunicação.
Futuro indefinido
Além das ameaças provocadas pela temporada de furacões, o centro também enfrenta processos judiciais, altos custos operacionais e críticas constantes de grupos ambientalistas.
Organizações de defesa dos Everglades afirmam que o projeto representou um retrocesso na proteção ambiental da região e cobram maior fiscalização sobre o uso da área.
Caso o fechamento seja oficializado, os detidos deverão ser redistribuídos para outras unidades administradas pelo Departamento de Segurança Interna, enquanto o antigo aeroporto poderá voltar às suas atividades regulares.
Embora o governo federal afirme que nenhuma decisão definitiva tenha sido tomada, a retirada completa dos migrantes representa, até o momento, o sinal mais forte de que o controverso centro de detenção pode estar se aproximando do fim.





