Da redação
Uma brasileira de 36 anos, natural de Pernambuco, denunciou ter sido vítima de assédio sexual dentro de uma estação do metrô de Toronto, no Canadá. O caso ocorreu na manhã do dia 9 de janeiro de 2026, no banheiro feminino da estação Kipling, uma das mais movimentadas da cidade. A polícia local investiga o episódio como assédio sexual.
De acordo com o relato, Priscilla Costa, que vive no Canadá desde janeiro de 2019, utilizava uma das cabines do banheiro quando percebeu a presença de um homem na cabine ao lado. O suspeito teria subido no vaso sanitário para observá-la por cima da divisória no momento em que ela se vestia após usar o banheiro. A vítima usava fones de ouvido e ouvia música, o que teria dificultado que percebesse movimentos prévios do agressor.
Ao notar que estava sendo observada, Priscilla gritou e tentou sair da cabine. Segundo ela, o homem tentou impedi-la, empurrando-a de volta para dentro do espaço, sem dizer qualquer palavra. A brasileira reagiu, conseguiu afastá-lo à força e deixou o banheiro pedindo ajuda a passageiros que estavam próximos.
Apesar de várias pessoas terem presenciado a vítima sair do local em estado de choque e relatando que havia sido espionada, ninguém interveio para conter o suspeito. Um funcionário da estação, que estava nas proximidades do banheiro, também não agiu de imediato, o que permitiu que o homem deixasse o local caminhando lentamente.
Abalada, Priscilla seguiu para o trabalho, mas relatou ter se sentido extremamente vulnerável diante da falta de reação coletiva. O registro oficial da ocorrência foi feito no dia seguinte, 10 de janeiro, em uma delegacia regional de Toronto, onde ela prestou depoimento detalhado sobre o caso.
Paralelamente, a vítima entrou em contato com a ouvidoria da Toronto Transit Commission (TTC), órgão responsável pelo sistema de transporte público, solicitando acesso às imagens das câmeras de segurança. A agência localizou os registros correspondentes ao horário do incidente e encaminhou o material às autoridades policiais. As câmeras da estação Kipling captaram os deslocamentos do suspeito antes e depois do ocorrido, o que pode auxiliar na identificação.
A polícia de Toronto analisa as imagens e avalia possíveis conexões com outros casos semelhantes registrados na região. Testemunhas que estavam no local poderão ser chamadas para prestar esclarecimentos adicionais. A tipificação como assédio sexual prevê penalidades específicas, conforme a legislação canadense.
Após o episódio, Priscilla relata mudanças em sua rotina e comportamento. Ela passou a evitar o uso de fones de ouvido no metrô, para manter maior atenção aos sons ao redor, e procura avaliar a lotação dos vagões antes de embarcar, evitando áreas mais vazias. A brasileira também afirma ter enfrentado dificuldades para dormir nos dias seguintes ao ataque e diz que imagens do rosto do agressor retornavam constantemente à sua memória.
Mesmo assim, ela precisa utilizar a estação Kipling ao menos duas vezes por semana para ir ao trabalho, o que intensifica a sensação de insegurança no deslocamento diário.
Em nota, a TTC informou que vem adotando medidas para reforçar a segurança no sistema, incluindo aumento do número de supervisores em estações movimentadas, ampliação da instalação de câmeras em corredores e plataformas, maior presença de equipes de segurança em horários de pico, parcerias com a polícia local para patrulhamento regular e o incentivo ao uso de aplicativos que permitem denúncias rápidas e discretas.
Casos de assédio sexual no transporte público são recorrentes em grandes centros urbanos como Toronto. Pesquisas indicam que muitas mulheres já passaram por situações semelhantes em metrôs e ônibus. Segundo a TTC, o número de denúncias aumentou nos últimos anos, o que reflete maior conscientização das vítimas sobre a importância de formalizar ocorrências.
Autoridades reforçam a orientação para que denúncias sejam feitas o mais rapidamente possível, facilitando a identificação de suspeitos por meio das imagens de segurança. Entre as recomendações aos usuários estão evitar o uso de fones de ouvido em áreas pouco movimentadas, optar por cabines mais centrais em banheiros públicos, buscar ajuda imediata de funcionários e circular, sempre que possível, por áreas mais iluminadas e movimentadas.
O caso ganhou repercussão entre comunidades de brasileiros em Toronto, especialmente entre imigrantes pernambucanos. Redes de apoio e grupos online têm sido fundamentais para oferecer orientação à vítima e discutir estratégias de prevenção. Priscilla afirma que o episódio mudou sua percepção sobre a segurança no Canadá, país que, até então, considerava amplamente protegido contra esse tipo de violência.





