Um levantamento atualizado sobre políticas migratórias locais revelou um panorama detalhado da cooperação entre condados do estado de Nova York e o Departamento de Imigração (ICE, sigla em inglês), evidenciando profundas diferenças regionais na forma como autoridades locais se relacionam com a fiscalização federal de imigração.
O estudo analisa acordos operacionais, compartilhamento de informações, cumprimento de pedidos de detenção migratória e participação em programas federais, destacando que o estado apresenta um modelo fragmentado — com condados que apoiam ativamente a atuação do ICE e outros que impõem restrições severas.
De acordo com os dados mais recentes do levantamento, a cooperação formal ou operacional com o ICE permanece concentrada principalmente em condados do interior e de perfil mais conservador.
Entre os que mantêm algum nível de colaboração estão:
- Nassau
- Suffolk
- Erie
- Monroe
- Onondaga
- Oneida
- Rensselaer
- Saratoga
- Niagara
- Chautauqua
Nessas jurisdições, as autoridades locais podem:
- Notificar o ICE sobre a liberação de detentos estrangeiros;
- Cumprir pedidos de detenção migratória (detainers);
- Manter acordos de cooperação carcerária;
- Integrar forças-tarefa com agências federais.
Em alguns casos, cadeias locais também firmam contratos para abrigar detidos sob custódia migratória.
Em contraste, grandes centros urbanos e condados mais populosos seguem políticas conhecidas como “sanctuary” (santuário), que limitam ou proíbem a cooperação com a imigração federal sem ordem judicial.
Entre os principais estão:
- New York City
- Albany
- Ithaca
- Rochester
- Buffalo
Nessas localidades:
- Detentos não são mantidos apenas por solicitação administrativa do ICE;
- O compartilhamento de dados migratórios é restrito;
- A cooperação exige mandado judicial;
- Órgãos locais evitam participação em ações de fiscalização civil migratória.
Programa 287(g) e outros acordos
Parte da cooperação identificada ocorre por meio do programa federal 287(g), que permite que agentes locais recebam treinamento para executar funções limitadas de imigração sob supervisão federal.
Embora o programa tenha perdido força em estados como Nova York ao longo dos anos, acordos carcerários e de notificação ainda mantêm a colaboração ativa em determinadas regiões.
Especialistas apontam que o “mapa da cooperação” cria realidades distintas para imigrantes dentro do mesmo estado. Enquanto em algumas regiões a interação com a polícia local dificilmente resulta em contato com autoridades migratórias, em outras há maior probabilidade de encaminhamento ao sistema federal.
Organizações de direitos civis criticam a cooperação ampliada, alegando:
- Risco de perfilamento racial;
- Redução da confiança comunitária na polícia;
- Impactos na denúncia de crimes.
Já defensores argumentam que a integração entre condados e autoridades federais fortalece a segurança pública e facilita a remoção de estrangeiros com antecedentes criminais.
O levantamento ressalta que políticas locais continuam em transformação, influenciadas por mudanças administrativas, decisões judiciais e pressões políticas.
Assim, o grau de cooperação entre condados de Nova York e o ICE permanece dinâmico — refletindo o embate nacional mais amplo sobre imigração, autonomia local e aplicação das leis federais.





