Uma análise estatística divulgada pelo jornal “The Philadelphia Inquirer” revelou uma mudança significativa no perfil das prisões realizadas pelo ICE (Serviço de Imigração e Controle de Alfândega dos Estados Unidos) desde o retorno de Donald Trump à presidência. Embora o número total de detenções tenha disparado, a proporção de imigrantes presos com antecedentes criminais caiu drasticamente ao longo do último ano.
Os dados apontam que, em janeiro de 2025 — ainda nos últimos dias do governo de Joe Biden — autoridades de imigração prenderam 253 pessoas na Pensilvânia. Desse total, 49% possuíam condenações criminais. Quando incluídos os casos de pessoas com acusações criminais pendentes, o índice subia para 73%, representando quase três em cada quatro detenções.
No entanto, em janeiro de 2026, após um ano sob a administração de Donald Trump, o cenário mudou radicalmente. O número de prisões mais que triplicou, chegando a 802 detenções no estado. Apesar do aumento expressivo nas operações, apenas 21% dos presos tinham condenações criminais registradas. Incluindo aqueles com acusações pendentes, o percentual sobe para 41%.
Na prática, isso significa que quase 60% de todos os imigrantes presos em janeiro na Pensilvânia não possuíam qualquer histórico criminal conhecido.
Segundo a análise, a mesma tendência também vem sendo observada no estado vizinho de Nova Jersey, indicando uma ampliação das ações migratórias voltadas não apenas para indivíduos considerados ameaça à segurança pública, mas também para imigrantes sem antecedentes criminais.
A mudança reforça a política prometida por Donald Trump durante sua campanha presidencial, baseada em ampliar deportações em massa e endurecer a fiscalização migratória em todo o país. Desde que reassumiu a Casa Branca, o republicano tem defendido publicamente operações mais agressivas do ICE, prometendo remover milhões de imigrantes em situação irregular dos Estados Unidos.
Especialistas em imigração e organizações de direitos civis vêm demonstrando preocupação com o impacto dessas medidas, principalmente entre famílias estabelecidas há anos no país, trabalhadores sem ficha criminal e comunidades imigrantes que passaram a viver sob medo constante de detenções.
Defensores dos direitos dos imigrantes afirmam que os novos números colocam em xeque o discurso oficial de que as operações têm como foco principal criminosos perigosos. Para críticos da política migratória atual, os dados mostram que o alcance das ações do ICE está se expandindo para atingir cada vez mais pessoas sem qualquer envolvimento com crimes.
O governo Trump, por outro lado, sustenta que o aumento das prisões é necessário para reforçar o cumprimento das leis imigratórias e garantir maior controle das fronteiras e da permanência de estrangeiros em território americano.





