Um imigrante ilegal condenado por sequestrar e abusar sexualmente de quatro mulheres em San Francisco, após se passar por motorista de aplicativo, deverá cumprir pena pelo resto da vida.
Orlando Vilchez Lazo pode ser sentenciado a até 100 anos de prisão perpétua por diversos crimes, entre eles sequestro, sequestro com intenção de estupro, estupro mediante violência ou ameaça e penetração sexual com objeto. Os crimes ocorreram entre 2013 e 2018, segundo informou na sexta-feira a promotora distrital de San Francisco, Brooke Jenkins.
“A justiça finalmente foi alcançada”, afirmou Jenkins. “Vilchez Lazo está sendo responsabilizado por atos extremamente graves.”
O peruano de 44 anos, detido em julho de 2018, atraía suas vítimas ao colocar adesivos da Uber e da Lyft em seu carro e esperar próximo a bares e casas noturnas. Ele se aproveitava principalmente de mulheres jovens que acreditavam estar entrando em um carro solicitado por aplicativo.
O primeiro ataque registrado ocorreu em 2013, quando ele levou uma estudante universitária de 21 anos de um bar até uma área isolada, onde cometeu o crime, segundo a promotoria.
Já em fevereiro de 2018, uma jovem de 22 anos saía de uma casa noturna com uma amiga quando o motorista de aplicativo cancelou a corrida. Nesse momento, Vilchez Lazo apareceu oferecendo transporte.
As duas aceitaram, mas pouco depois ele pediu que a amiga da vítima descesse para comprar água. Em seguida, fugiu com o carro e abusou da mulher, conforme relataram os promotores.
Em maio de 2018, outra vítima, também de 22 anos, foi atacada após ele mentir dizendo ser o motorista dela. Segundo a acusação, ele roubou o celular da jovem e a intimidou com um objeto metálico quando ela tentou pedir ajuda.
O último caso aconteceu em junho de 2018, quando uma jovem de 21 anos entrou no carro após ele gritar “Uber”, acreditando ser o motorista correto.
De acordo com os promotores, ele utilizou um objeto cortante para ameaçar a vítima e a feriu em diferentes partes do corpo durante o crime.
Vilchez Lazo foi preso cerca de um mês depois por uma equipe de vigilância que conseguiu identificar seu veículo com base nas descrições fornecidas pelas vítimas.
A Uber informou que ele nunca fez parte da empresa. Já a Lyft confirmou que ele chegou a atuar como motorista, mas teria fornecido informações falsas sobre sua situação imigratória.
Segundo o ICE, ele entrou ilegalmente nos Estados Unidos.
O processo se estendeu por anos devido a adiamentos e disputas legais envolvendo provas de DNA. A data da sentença ainda não foi definida.
“As quatro sobreviventes demonstraram coragem ao depor após tantos anos e enfrentar o responsável por crimes tão graves”, afirmou a promotora assistente Michele Brass.
“É admirável a força dessas mulheres, que conseguiram seguir suas vidas e alcançar sucesso mesmo após experiências tão traumáticas.”





