Da redação
As autoridades estaduais de Massachusetts apresentaram acusações contra uma moradora de Lexington, apontada como responsável por conduzir um esquema fraudulento disfarçado de operação comercial legítima.
Segundo o gabinete do secretário estadual Bill Galvin, Barbara Hirshfield teria vendido notas promissórias a investidores por meio da Ideal Financial Holdings, levando-os a acreditar que estavam aplicando em um negócio familiar especializado em financiamento de veículos e pequenos empréstimos.
No entanto, de acordo com a denúncia, desde pelo menos 2019, a Ideal funcionava como um esquema Ponzi — modelo fraudulento no qual recursos de novos investidores são usados para pagar juros ou resgatar o capital de investidores anteriores.
A Ideal Budget Plan, posteriormente rebatizada como Ideal Financial Holdings, foi fundada em Springfield, em 1948, pelo pai de Hirshfield. Durante décadas, a empresa financiou a compra de eletrodomésticos, móveis e veículos.
Em 2012, porém, o Departamento de Bancos de Massachusetts proibiu a captação de recursos externos para financiar as operações. Dois anos depois, em 2014, a licença para atuar no estado foi revogada.
Apesar disso, Galvin afirma que a Ideal continuou emitindo notas promissórias e pagando juros, sem autorização e sem fonte legítima de receita. Para manter os pagamentos, Hirshfield teria continuado a atrair novos investidores.
Desde 2019, a Ideal teria arrecadado mais de US$ 7,6 milhões de pelo menos 180 investidores, sendo que cerca de US$ 7,2 milhões foram destinados ao pagamento de juros ou devolução de capital a outros aplicadores.
No outono de 2024, investigadores detectaram problemas nos repasses e, em abril de 2025, todos os pagamentos cessaram. Desde então, a Divisão de Valores Mobiliários do estado recebeu 54 reclamações de investidores que não receberam os valores devidos.
O gabinete de Galvin destacou que boa parte das vítimas vive na região de Springfield, onde a empresa construiu reputação ao longo de décadas. Muitos são descendentes de investidores da Ideal nos primeiros anos e, em vários casos, há parentesco entre os prejudicados.
A denúncia aponta que as operações fraudulentas privaram famílias de recursos para a aposentadoria, despesas emergenciais e até fundos destinados à educação de filhos e netos.
Galvin busca uma ordem para que a Ideal e Hirshfield cessem imediatamente qualquer prática que viole as leis estaduais de valores mobiliários, devolvam os lucros obtidos ilegalmente e façam ofertas de ressarcimento, com juros, a todos os investidores.
O caso será analisado por um oficial de audiência em processo administrativo.





