Uma operação coordenada por autoridades federais de imigração dos Estados Unidos resultou na prisão de 65 imigrantes em situação irregular no estado de Connecticut. A ofensiva, batizada de Operation Broken Trust, foi realizada entre os dias 12 e 15 de agosto e teve como foco principal o combate ao crime organizado transnacional, à atuação de gangues e à captura de indivíduos classificados pelas autoridades como infratores de alta periculosidade.
De acordo com o escritório do Departamento de Imigração (ICE, sigla em ingçês) em Boston (Massachustets), responsável pela ação por meio da unidade de Hartford, 29 dos detidos já haviam sido condenados ou respondiam a processos criminais em território americano.
Entre os crimes citados estão sequestro, agressão, delitos relacionados ao tráfico de drogas, violações envolvendo armas de fogo e crimes sexuais. Outros presos foram identificados como membros de organizações criminosas internacionais ou possuíam antecedentes em seus países de origem.
A operação contou com a atuação conjunta de diversas agências federais, incluindo o Federal Bureau of Investigation (FBI), o U.S. Marshals Service, a Drug Enforcement Administration (DEA) e o Bureau of Alcohol, Tobacco, Firearms and Explosives (ATF). As equipes realizaram diligências em várias cidades de Connecticut para localizar e deter os alvos investigados.
Em declaração oficial, a diretora interina da unidade do ICE de Operações de Aplicação e Remoção (ERO, sigla em inglês), em Boston, Patricia H. Hyde, afirmou que legislações estaduais consideradas “santuário” dificultam o trabalho das autoridades migratórias.
Segundo ela, normas como o Trust Act de Connecticut limitam a cooperação de forças policiais locais com o ICE, impedindo, em muitos casos, a retenção de imigrantes solicitados pela agência federal.
Hyde criticou a ampliação recente da legislação, ocorrida em maio, que passou a restringir ainda mais o compartilhamento de informações e o cumprimento de detentores migratórios, salvo em exceções específicas. Para a autoridade, essa limitação obriga agentes federais a realizarem prisões diretamente nas comunidades, aumentando riscos operacionais.
“Não se enganem: todas as pessoas que prendemos violaram a lei federal de imigração, mas muitas também vitimaram pessoas inocentes e traumatizaram comunidades”, declarou Hyde. Ela citou entre os detidos estupradores, traficantes de drogas, predadores sexuais infantis e integrantes de gangues transnacionais violentas.
Além das prisões com base em crimes cometidos nos Estados Unidos, a operação também cumpriu mandados internacionais e notificações da Interpol. Alguns dos detidos eram procurados por autoridades estrangeiras e foram localizados em Connecticut após, segundo o ICE, tentarem evitar a Justiça ao se estabelecer no estado.
As autoridades federais afirmam que a Operation Broken Trust faz parte de uma estratégia mais ampla de cooperação interagências para identificar, localizar e remover do país estrangeiros considerados ameaças à segurança pública, especialmente aqueles ligados a redes criminosas internacionais atuantes em solo americano.





