Parlamentares da Carolina do Sul discutem um projeto de lei que pretende fortalecer a cooperação entre agências locais de segurança pública e autoridades federais de imigração. A proposta, atualmente em análise na Assembleia Legislativa estadual, reacende o debate sobre o papel das polícias locais na aplicação das leis migratórias federais.
O texto prevê que órgãos de segurança que administram unidades prisionais firmem acordos formais com o governo federal por meio do programa conhecido como 287-G. Esse mecanismo permite que policiais, xerifes e agentes penitenciários recebam treinamento para atuar em determinadas funções de imigração — incluindo identificar, investigar e deter pessoas suspeitas de estarem em situação migratória irregular.
De acordo com defensores da medida, muitos departamentos policiais do estado já mantêm algum nível de cooperação com autoridades federais, e o projeto buscaria padronizar esse modelo. O deputado estadual Travis Moore, republicano de Spartanburg, afirma que a proposta criaria uniformidade operacional em todo o território estadual.
Segundo ele, na ausência desses acordos, a responsabilidade pela fiscalização migratória permanece restrita a agentes federais. “Estamos tentando equilibrar as coisas e garantir um padrão de atuação”, argumentou o parlamentar durante as discussões.
Por outro lado, críticos da proposta alertam para possíveis impactos negativos na relação entre comunidades imigrantes e as forças de segurança locais. O morador de Columbia, Marcurius Byrd, manifestou preocupação com o que classificou como aumento do medo entre residentes estrangeiros.
“Trazer o ICE diretamente para o cotidiano das comunidades, especialmente no atual clima político, gera um nível indevido de temor”, afirmou. Para opositores, delegar funções federais à polícia local pode desestimular denúncias de crimes e reduzir a confiança pública nas autoridades.
O subcomitê responsável pela análise do projeto não realizou votação nesta etapa inicial, mas indicou que o tema deverá voltar à pauta em sessões futuras, mantendo o debate legislativo em aberto.
A discussão na Carolina do Sul ocorre em meio a um cenário nacional mais amplo de endurecimento de políticas migratórias em diversos estados norte-americanos, com iniciativas que buscam ampliar a colaboração entre jurisdições locais e o governo federal — ao mesmo tempo em que enfrentam resistência de grupos comunitários e organizações de direitos civis.





