Três funcionários do Allston Car Wash detidos durante uma operação do Departamento de Imigração (ICE, sigla em inglês) no início do mês foram libertados na noite de terça-feira, após um atraso incomum no processamento de suas fianças. Yuli Magali Mendez Luarca, José Enriquez Sagastume e Dairo Preciado haviam recebido autorização de fiança na segunda-feira pela juíza de imigração Yul-mi Cho, após várias moções apresentadas pelo advogado Todd Pomerleau.
Segundo o advogado, todos deixaram a custódia “exaustos, traumatizados e a caminho de suas famílias”. Mendez Luarca foi liberada em Burlington, Massachusetts, após ser transferida de um centro de detenção no norte de Vermont. Ainda não está claro de onde Sagastume e Preciado foram liberados; ambos estavam detidos na unidade da ICE em Plymouth, Massachusetts. Outros seis trabalhadores imigrantes continuam detidos.
A operação do ICE ocorreu em 4 de novembro, em uma ação repentina durante a manhã. Testemunhas relataram a presença de mais de uma dezena de veículos pretos e trabalhadores sendo levados algemados, sob mira de armas.
Apesar da concessão de fiança, os três trabalhadores permaneceram detidos por horas devido a falhas no sistema online utilizado pela ICE para pagamento. Voluntários que tentaram efetuar os pagamentos relataram rejeições inesperadas, devoluções bancárias e dificuldades para obter suporte da agência.
As fianças foram estabelecidas em US$ 5.000 para Preciado e Luarca, e US$ 1.500 para Sagastume — todas integralmente pagas na manhã de terça-feira.
Pomerleau criticou a falta de transparência da ICE: “Eles nem informam às pessoas que pagaram a fiança se os trabalhadores serão liberados ou de onde sairão”, afirmou.
Segundo o advogado, não é incomum que trabalhadores libertados sejam deixados em locais aleatórios e sem aviso prévio, como estacionamentos próximos à cadeia do condado de Plymouth ou até mesmo na chuva, dificultando o retorno para casa.
Enquanto isso, outros trabalhadores detidos aguardam audiências de fiança. Vanessa Vasquez Valladares, detida com dois familiares, foi transferida do Texas para Vermont e pode ser ouvida em breve. Outra imigrante, Clarisa Aguilon, recebeu autorização de audiência pouco antes do fechamento desta edição.
A ICE não esclareceu o motivo da ação no estabelecimento nem se se tratava de uma auditoria de documentação trabalhista, o que exigiria que o negócio fosse notificado com três dias de antecedência.
Advogados e familiares afirmam que muitos dos nove funcionários detidos possuem status legal e autorizações de trabalho válidas, e que nenhum tem antecedentes criminais.
O caso ganhou ainda mais repercussão após Zac Segal, presidente do Boston University College Republicans, afirmar online que havia pressionado a ICE para realizar a operação. Em resposta, o Allston Car Wash divulgou comunicado repudiando a caracterização de seus trabalhadores como criminosos, classificando a atitude como “imprudente e angustiante”.
“Os funcionários detidos fazem parte de nossa equipe e da nossa comunidade. Estamos fazendo tudo ao nosso alcance para apoiar essas famílias”, declarou a direção do estabelecimento.
A Receita Federal e o Departamento de Segurança Interna não responderam às solicitações de esclarecimento sobre a alegação de Segal.
Para o advogado Pomerleau, rotular os trabalhadores como criminosos é “falso”, mas ele reforçou que Segal tem direito constitucional de expressar suas opiniões, ainda que equivocadas.





