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Coluna Edmundo Alvarenga - SORTE: a história de um valadarense que foi buscar a vida na América

A história valadarense nos EUA começou na Segunda Guerra Mundial, quando americanos chegaram a Valadares atraídos pela mica, usada na indústria bélica. Entre eles estava Richard Pitt Simpson, o ‘Mister Simpson’, chegado…

Publicado em 08/23/26
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Coluna Edmundo Alvarenga - SORTE: a história de um valadarense que foi buscar a vida na América

A história valadarense nos EUA começou na Segunda Guerra Mundial, quando americanos chegaram a Valadares atraídos pela mica, usada na indústria bélica. Entre eles estava Richard Pitt Simpson, o ‘Mister Simpson’, chegado em 1944.

Sua esposa, Geraldina Lopes de Oliveira Gomes, Dona Geraldina Simpson, era de origem portuguesa: veio de Portugal ainda jovem, acompanhando o pai. Richard Simpson havia saído dos Estados Unidos para trabalhar numa estrada de ferro na Amazônia, e foi lá que os dois se conheceram. O plano inicial era que, terminado o trabalho, seguissem para os Estados Unidos. Porém, surgiu uma oportunidade de trabalho na Estrada de Ferro Vitória-Minas, da Vale do Rio Doce. Richard veio então para Governador Valadares com Geraldina, já casados, para morar na cidade. Foi aqui que nasceram os filhos do casal.

Dona Geraldina destacou-se ensinando inglês. Fundaram o Instituto Brasil-Estados Unidos (IBEU), ponte com os EUA. Intercâmbios e relatos levaram jovens à América.

Nos 1960, a emigração cresceu. Em 1964, há registro da primeira leva documentada de jovens legalmente nos EUA. Cartas, fotos e relatos formaram redes; nos 1970 cresceu; nos 1980, ganhou proporções maiores. Cada partida exigia coragem; os EUA entraram na história de milhares de famílias.

Nesse contexto, conto a história de meu irmão, Marco Antônio Alvarenga Vieira. Não é a história de todos; cada emigrante teve dificuldades, oportunidades, perdas, conquistas e caminhos próprios, mas mostra o significado de começar do zero.

Caçula de nove irmãos, Marco nasceu em Valadares. Em outubro de 1985, escolheu entre CEMIG e os EUA. Fez a prova para estudar e se formar pela empresa, em Sete Lagoas, e pediu o visto. Passou, conseguiu-o: escolheu a América.

Em 18 de março de 1986, chegou com cerca de 200 dólares e bolsa Primícia emprestada por Edmundo. Sem garantias: estava com Deus.

Foi dishwasher no Uno’s Pizzeria (Harvard Square), busboy no Division Sixteen e garçom em Boston. Tinha dois ou três empregos, mais de 80 horas semanais; mandava dinheiro à família.

Em outubro, com Ely Braga, criou o Popularíssimo, o ‘Tá Limpo’, um lava a jato para lavagem de carros. Aprendeu que dignidade está em como se trabalha.

Em Harvard Square, ouviu Tracy Chapman, desconhecida, tocando em Cambridge. Pedia Dylan e Marley. Ela tocava; sem saber, tinha um ‘private show’ particular. Anos depois percebeu: lugar e hora certos, diante da artista.

No fim dos 1990, em Malden, abriu o Brazil on Ferry Restaurant, 100% brasileiro; em 2002, passou-o ao amigo-irmão Paulo Tedesco.

Após quase dez anos no Brasil, criou em Valadares a .comcafé, uma das primeiras lan houses, e, em 2006, reinaugurou o novo ‘Tá Limpo’.

Em 2011, recomeçou em Orlando. Após trabalhar em concessionária Honda, criou a Solution Window Tinting.

Marco conheceu duas Américas. Para quem chega sem dinheiro, prefere o Norte, Boston: salários melhores e transporte público; permite trabalhar sem carro. Problema: inverno rigoroso. A Flórida oferece calor, sol e proximidade com Brasil e América Latina, mas exige carro e planejamento. Para ele, Norte para começar; Flórida após estabilidade.

Sua maior conquista talvez esteja fora dos negócios. Com Isabel, esposa há mais de três décadas, teve três filhos: Layla, Marco Filho e Liz. Vê-los crescer, estudar, trabalhar e construir caminhos prova o esforço.

Marco define sucesso: ser hoje melhor que ontem e amanhã melhor que hoje, sem precisar superar ninguém.

Filosofia: SORTE. Superação. Objetividade. Resiliência. Trabalho. Esforço.

A sorte existe, mas cada pessoa ajuda a construí-la.

Aos 58, quase quatro décadas já após chegar com 200 dólares e bolsa, ainda trabalha, planeja, ajuda a família, aprende e sonha.

Entre milhares, sua história compartilha coragem para partir, começar pequeno, trabalhar, cair e recomeçar.

Marco diz: ‘Só tenho medo é de ter medo.’ É a frase que resume sua caminhada.

Brasileiro de nascimento, americano por escolha e experiência, mineiro nas raízes, de fé, família, trabalho e gratidão. Para ele caráter vale mais.

Sucesso é olhar para trás e perceber que se tornou melhor. Enquanto houver vontade de aprender, melhorar e recomeçar, a história continua.

 

* Fontes pesquisadas:

Haruf Salmen

Etelmar Loureiro

Sueli Siqueira

Marco Antônio Alvarenga Vieira

- Edmundo Alvarenga

Fonte: Da redação

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