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Coluna Jhenny Pacheco: A hora de dormir não é só sobre sono

Toda noite parece que a história se repete.

thomasbt08/19/26
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Coluna Jhenny Pacheco: A hora de dormir não é só sobre sono

Toda noite parece que a história se repete.

“Só mais um copo d’água.” “Fica aqui mais um pouquinho?” “Esqueci de te contar uma coisa...”

Você dá o beijo de boa-noite, apaga a luz e, quando finalmente acha que o dia terminou, lá está a criança novamente.

E eu sei: depois de um dia inteiro de trabalho, casa, compromissos, banho e jantar, às vezes tudo o que aquele adulto também queria era silêncio. Mas talvez a hora de dormir não seja só sobre sono.

A Teoria do Apego de John Bowlby, nos ajuda a compreender que crianças constroem segurança emocional a partir das experiências repetidas que vivem com seus adultos de referência. E podemos pensar nisso, no cotidiano, a partir de quatro necessidades importantes do apego seguro: presença, previsibilidade, proteção e proximidade.

Durante o dia, a criança vai buscando esses quatro Ps nas pequenas experiências: presença quando tenta nos mostrar alguma coisa; previsibilidade quando precisa saber o que vai acontecer; proteção quando algo assusta, frustra ou parece grande demais; proximidade quando precisa reencontrar no vínculo a segurança para continuar explorando o mundo.

Só que nossos dias são corridos! Às vezes respondemos olhando para o celular. Às vezes precisamos dizer “agora não”. Às vezes buscamos a criança correndo, fazemos o jantar correndo, damos banho correndo.

Isso não faz de ninguém um pai ou uma mãe ruim. Faz parte da vida real.

Mas então chega a noite, o barulho diminui, as distrações acabam, e aquilo que ficou faltando pode aparecer justamente ali… mais um abraço, mais uma história, “Não vai ainda.”

Talvez aquela criança não esteja simplesmente tentando adiar o sono. Talvez esteja buscando completar uma necessidade de conexão que ficou pelo caminho durante o dia.

Isso não significa abandonar limites ou passar horas no quarto. Significa olhar para além do comportamento. Antes de perguntar “por que meu filho não dorme?”, talvez possamos perguntar: Como estiveram nossos quatro Ps hoje? Houve presença? Previsibilidade? Proteção? Proximidade?

E, principalmente: o que meu filho pode estar buscando em mim agora?

Às vezes, cinco minutos de presença inteira oferecem mais segurança do que trinta minutos de presença pela metade.

Dormir exige relaxar, e, para relaxar, uma criança precisa sentir que pode baixar a guarda.

Talvez, em algumas noites, o que chamamos de resistência ao sono seja apenas uma criança perguntando, do jeito que consegue: “Antes de terminar o dia, posso ter certeza de que ainda estamos conectados?”

Proteger uma criança começa na forma como você educa.

 

Fonte: Da redaçào

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