Debaixo de chuva torrencial na Malásia, Max supera largada ruim, bate Mercedes e Hamilton e conquista a primeira vitória da nova era Red Bull Ford Powertrains. A Ford volta ao topo da Fórmula 1 depois de 23 anos. O tetracampeão voltou. E do jeito que sabe: quando a pista exige braço, coragem e talento, é só chamar que ele aparece.
O GP do Bahrein, disputado excepcionalmente na Malásia devido ao conflito na região, entregou tudo o que transforma uma corrida de Fórmula 1 em espetáculo.
Chuva torrencial, largada atrasada em quase duas horas, pista traiçoeira, mudanças de aderência, estratégias e muita tensão.
No meio de tanta tecnologia, porém, ficou uma velha lição da F1: quando o caos embaralha as cartas, o talento individual ainda pode ditar as regras do jogo. E aí apareceu Max Verstappen.
Quando finalmente as luzes se apagaram, o tetracampeão acelerou com vontade. Talvez até demais. Verstappen não conseguiu colocar toda a potência no chão, patinou na saída e viu as Mercedes de George Russell e Kimi Antonelli ganharem terreno. Por alguns instantes, parecia que a corrida seguiria o roteiro de boa parte da temporada de 2026: Mercedes na frente e Red Bull correndo atrás. Só parecia. Porque estamos falando de Max Verstappen. Em condições complicadas, o holandês voltou a mostrar uma de suas maiores virtudes: a capacidade de encontrar aderência onde os outros encontram problemas.
Volta após volta, Max reconstruiu a corrida. Sem desespero e sem firula. Mas com muito braço, leitura de pista e velocidade. Desta vez, havia ainda algo diferente empurrando o tetracampeão: a nova unidade de potência Red Bull Ford Powertrains.
A combinação começou a funcionar. Verstappen recuperou o terreno perdido, reassumiu a liderança e não a entregou mais.
MAX DE VOLTA AO LUGAR MAIS ALTO

Bandeira quadriculada agitada anuncia que Max cruzou em primeiro lugar. Kimi Antonelli terminou em segundo, 2,307 segundos atrás. Lewis Hamilton completou o pódio, em terceiro, a 4,919 segundos.
Mas o resultado vai muito além de mais uma vitória na coleção do holandês. Foi a primeira vitória de Verstappen em 2026. A primeira da Red Bull na temporada. E, principalmente, a primeira vitória da história da nova unidade Red Bull Ford Powertrains.
Um resultado que pode representar mais do que 25 pontos. Pode ser o momento em que um novo projeto finalmente encontra seu caminho. A última vez que um carro oficialmente equipado com motor Ford havia vencido uma corrida de Fórmula 1 foi no caótico GP do Brasil de 2003.
A Fórmula 1 de 2026 entrou numa era em que a unidade de potência, a recuperação de energia, os sistemas eletrônicos e a eficiência tecnológica ganharam peso gigantesco. Evidentemente, ninguém vence hoje apenas no braço. É preciso carro, motor e estratégia.
Mas corridas como esta deixam uma mensagem importante: ainda existe espaço para o piloto fazer a diferença. Quando a chuva cai, a aderência desaparece e o carro começa a escapar das mãos, nenhum computador segura o volante. Ali entra o talento. E Max Verstappen tem de sobra.
Se a Red Bull Ford finalmente encontrou o caminho para entregar a Max uma máquina capaz de brigar de igual para igual com a Mercedes, a temporada de 2026 acaba de ganhar o ingrediente que faltava. O tetracampeão está de volta ao jogo.
By: Roberto Vieira
Jornalista e comentarista esportivo





