Da Redação
Um agente do Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE) passou a enfrentar acusações federais após um episódio ocorrido durante uma operação migratória em Minneapolis, Minnesota. Christian Castro, de 52 anos, é acusado de atirar contra um homem dentro de uma residência e, posteriormente, apresentar aos investigadores uma versão que teria sido contrariada por imagens de câmeras de segurança.
O caso aconteceu em 14 de janeiro de 2026 e teve como vítima Julio Cesar Sosa-Celis, um venezuelano que estava dentro da casa no momento da abordagem. Segundo documentos judiciais, Castro perseguia outro homem quando chegou ao imóvel onde Sosa-Celis vivia.
Depois que os homens entraram na residência e tentaram fechar a porta, houve uma confrontação. Foi nesse momento que Castro efetuou um disparo. Sosa-Celis foi atingido na coxa.
O tiro, porém, não parou ali.
De acordo com as autoridades, o projétil atravessou a porta da frente e paredes internas da residência antes de terminar alojado na parede do quarto de uma criança. Seis pessoas estavam no imóvel naquele momento, entre elas duas crianças. Ninguém além de Sosa-Celis foi atingido.
Imagens colocaram versão do agente sob suspeita
Após o episódio, Castro afirmou que havia sido atacado por Sosa-Celis e outro homem com uma pá de neve e um cabo de vassoura. A versão apresentada inicialmente pelo agente chegou a resultar em acusações contra os dois homens.
A investigação, no entanto, tomou outro rumo depois que as autoridades analisaram imagens de câmeras de segurança.
Segundo os promotores, as gravações não sustentariam pontos importantes do relato feito pelo agente. As acusações contra Sosa-Celis e o outro homem acabaram sendo retiradas.
O caso então passou a se voltar contra Castro.
Na Justiça estadual de Minnesota, o agente foi acusado de quatro crimes de agressão em segundo grau e de comunicação falsa de crime. Castro foi preso no Texas em maio, mas o caso ganhou também uma disputa envolvendo sua possível extradição para Minnesota.
Acusações federais
No início de setembro, o caso teve um novo desdobramento. Um grande júri federal indiciou Castro por seis acusações relacionadas a declarações falsas feitas a investigadores federais sobre o que teria acontecido naquela noite.
Entre os pontos questionados estão as declarações de que ele teria sido atingido com uma pá e uma vassoura, de que um terceiro homem teria participado da confrontação e de que a luta teria durado aproximadamente três minutos.
As imagens analisadas pelos investigadores indicariam uma situação diferente. A confrontação teria durado cerca de 11 segundos, e Castro estaria de pé quando realizou o disparo, contrariando parte da versão apresentada posteriormente às autoridades.
Ele voltou à custódia federal no Texas em 3 de setembro. O ICE já havia suspendido o agente sem remuneração em fevereiro.
É importante destacar que o indiciamento federal não acusa Castro diretamente pelo ato de ter atirado em Sosa-Celis. As seis acusações federais dizem respeito às supostas declarações falsas fornecidas durante a investigação. O episódio do disparo também é objeto do processo estadual, enquanto autoridades federais analisam possíveis questões relacionadas a direitos civis.
O caso chama atenção não apenas pela atuação de um agente federal durante uma operação migratória, mas também pelas circunstâncias do disparo. A trajetória da bala, que terminou no quarto de uma criança enquanto havia menores dentro da residência, tornou-se um dos elementos centrais da investigação.
Castro tem direito à presunção de inocência e as acusações apresentadas contra ele ainda precisam ser analisadas pela Justiça.





