Da Redação
Um agente do Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE) que atirou em um imigrante durante uma operação em Minneapolis agora enfrenta acusações federais por supostamente ter mentido ao FBI sobre as circunstâncias do episódio.
Christian Jeremiah Castro, de 52 anos, foi indiciado por um grande júri federal em seis acusações de fazer declarações materialmente falsas ao FBI, segundo o Departamento de Justiça dos Estados Unidos (DOJ). Se condenado, ele poderá receber pena máxima de cinco anos de prisão por cada acusação.
O caso teve início em 14 de janeiro de 2026, durante a Operation Metro Surge, ampla ofensiva migratória realizada na região de Minneapolis. Castro e outro agente do ICE tentavam abordar um veículo dirigido por Julio Cesar Sosa-Celis, venezuelano que tinha 26 anos na época.
A ocorrência terminou na residência de Sosa-Celis, onde Castro disparou sua arma através da porta da casa. O tiro atingiu o imigrante na perna e, segundo promotores estaduais, o projétil terminou sua trajetória na parede do quarto de uma criança.
Inicialmente, a versão apresentada pelas autoridades era muito diferente. Castro teria afirmado que Sosa-Celis e outro homem atacaram os agentes e que objetos como uma pá e uma vassoura teriam sido utilizados contra eles.
As evidências reunidas posteriormente, entretanto, colocaram essa narrativa em dúvida. Vídeos do episódio contradisseram pontos importantes do relato apresentado pelos agentes. A Promotoria do Condado de Hennepin afirma que Castro não foi atingido por pás, vassouras ou qualquer outra arma durante o incidente.
Sosa-Celis, que inicialmente chegou a enfrentar acusações relacionadas ao episódio, teve o processo retirado depois que novas evidências contrariaram a versão dos agentes.
Além do processo federal, Castro enfrenta um caso separado na Justiça estadual.
Em maio, promotores de Minnesota apresentaram contra ele quatro acusações criminais de agressão de segundo grau e uma acusação de falsa comunicação de crime.
O caso ganhou ainda mais repercussão depois que Castro foi preso no Texas. Autoridades de Minnesota solicitaram sua extradição, mas o governador texano, Greg Abbott, não assinou o pedido dentro do período em que Castro poderia permanecer detido enquanto aguardava a decisão.
Castro acabou sendo libertado de uma prisão no sul do Texas em 27 de agosto. Abbott havia afirmado ter “sérias dúvidas” sobre se o agente poderia juridicamente ser considerado um fugitivo sujeito à extradição.
Autoridades de Minnesota, por outro lado, manifestaram preocupação com o risco de fuga e criticaram duramente a libertação.
Dias depois, com a apresentação das acusações federais, Castro voltou a ficar sob custódia federal e compareceu perante um juiz no Texas.
O episódio também provocou repercussão dentro do próprio Departamento de Justiça.
Segundo a CBS News, o procurador federal assistente Matthew Evans, que investigava Castro pela possibilidade de crimes federais contra direitos civis, foi demitido. A emissora atribuiu a informação a quatro fontes familiarizadas com o caso.
Evans havia participado da investigação que analisava se a conduta do agente poderia resultar em acusações mais graves relacionadas à violação dos direitos constitucionais de Sosa-Celis.
O Departamento de Justiça, entretanto, apresentou neste momento acusações relacionadas às supostas declarações falsas feitas por Castro ao FBI. O próprio DOJ informou que continua avaliando os fatos e as evidências e não descartou a possibilidade de apresentar novas acusações.
A resposta federal foi considerada insuficiente pela defesa de Sosa-Celis.
A advogada Robin Wolpert afirmou que seu cliente deseja que Castro seja responsabilizado integralmente por sua conduta. A crítica se concentra principalmente no fato de que, apesar de o agente enfrentar acusações estaduais diretamente relacionadas ao disparo, o processo federal anunciado até agora trata das supostas mentiras apresentadas aos investigadores.
A ACLU de Minnesota também anunciou que representará Sosa-Celis em sua tentativa de buscar indenização do governo federal pelo episódio.
O caso de Christian Castro tornou-se particularmente significativo por representar a primeira acusação criminal conhecida apresentada pelo Departamento de Justiça contra um agente federal de imigração por fatos relacionados à Operation Metro Surge.
Castro ainda não foi condenado. As acusações apresentadas tanto no âmbito estadual quanto federal deverão ser analisadas pelos respectivos tribunais, e ele tem direito à presunção de inocência enquanto os processos estiverem em andamento.





