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Calor extremo eleva número de mortes de migrantes no deserto do Arizona

O verão no Arizona tem provocado preocupação entre organizações humanitárias que atuam na região de fronteira com o México. Mesmo em um período marcado pela redução das travessias, aumentou o número de migrantes encontrados sem vida em áreas desérticas do estado.

thomasbt08/19/26
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Calor extremo eleva número de mortes de migrantes no deserto do Arizona

O verão no Arizona tem provocado preocupação entre organizações humanitárias que atuam na região de fronteira com o México. Mesmo em um período marcado pela redução das travessias, aumentou o número de migrantes encontrados sem vida em áreas desérticas do estado.

Dados divulgados pela organização Humane Borders, em parceria com o Escritório do Médico Legista do Condado de Pima, apontam que 19 mortes foram registradas em julho, o maior número mensal dos últimos dois anos. Em junho, foram contabilizados outros 13 casos.

Desde o início do ano, 73 pessoas foram encontradas sem vida no Arizona, entre elas mulheres e crianças. No mesmo intervalo do ano passado, haviam sido registrados 59 casos. Durante todo o ano de 2025, o total chegou a 103.

Temperaturas elevadas aumentam os riscos

As condições extremas do deserto estão entre os principais fatores associados às ocorrências. Desidratação e exposição prolongada ao calor aparecem com frequência nos registros, embora também existam casos relacionados a hipotermia, afogamentos e outros tipos de acidentes.

Segundo Octavio Fuentes, diretor-executivo da Humane Borders, os meses de verão tradicionalmente representam o período de maior risco para quem percorre longas distâncias pelo deserto. A preocupação da entidade aumentou porque os números deste ano já estão acima dos registrados no mesmo período de 2025, enquanto a região ainda enfrenta semanas de temperaturas muito elevadas.

A dimensão do problema pode ser ainda maior do que mostram as estatísticas oficiais. Algumas pessoas desaparecem em regiões isoladas e nunca são localizadas. Equipes de busca, agentes da Patrulha de Fronteira, moradores e pessoas que circulam pelo deserto estão entre aqueles que eventualmente encontram restos mortais nessas áreas.

Redução das travessias não eliminou o problema

A alta nas mortes chama atenção por ocorrer enquanto os registros de encontros com migrantes na fronteira sudoeste permanecem em níveis historicamente baixos.

Para Brad Jones, integrante do conselho da Humane Borders, a redução do fluxo não significa que as travessias tenham terminado. Segundo ele, pessoas que enfrentam situações difíceis em seus países continuam buscando alternativas, mesmo diante dos riscos envolvidos no percurso.

Dados citados pela entidade indicam ainda que mais de 10 mil detenções por mês foram registradas neste ano ao longo da fronteira sudoeste. Esse levantamento não contabiliza pessoas observadas atravessando a região que não chegam a ser abordadas pelas autoridades.

Mais de 4,5 mil casos em 25 anos

Com os registros recentes, 4.505 mortes de migrantes foram documentadas no sul do Arizona ao longo dos últimos 25 anos.

A Humane Borders avalia que parte desse cenário está relacionada às mudanças na fiscalização da fronteira implementadas desde a década de 1990. Na visão da organização, o reforço em regiões urbanizadas e próximas aos pontos oficiais de entrada contribuiu para deslocar algumas rotas para trechos mais isolados e perigosos.

A entidade defende mudanças no sistema migratório dos Estados Unidos e afirma que medidas voltadas a ampliar caminhos regulares de imigração poderiam ajudar a reduzir as travessias por regiões de alto risco.

Fundada em Tucson em 2000, a Humane Borders mantém pontos autorizados de abastecimento de água em áreas do sul do Arizona. O projeto funciona com voluntários e doações privadas e atende qualquer pessoa que esteja atravessando o deserto, incluindo migrantes, caminhantes, campistas e agentes que trabalham na região.

A organização afirma que continuará mantendo os pontos de água enquanto houver pessoas expostas às condições extremas do deserto.

Fonte: Da redação

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