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Homem que votou três vezes em Trump e teve esposa presa pelo ICE muda sua visão sobre política imigratória

Durante anos, o norte-americano Brent Jindra esteve entre os eleitores que apoiavam a política migratória de Donald Trump. Profissional da área de vendas no setor de tecnologia, ele votou três vezes no republicano e…

Publicado em 08/25/26
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Homem que votou três vezes em Trump e teve esposa presa pelo ICE muda sua visão sobre política imigratória

Durante anos, o norte-americano Brent Jindra esteve entre os eleitores que apoiavam a política migratória de Donald Trump. Profissional da área de vendas no setor de tecnologia, ele votou três vezes no republicano e defendia uma fiscalização mais rígida das fronteiras. A percepção começou a mudar drasticamente quando a política que apoiava atingiu sua própria família.

Em 13 de julho, sua esposa, a russa Galina Bobreneva, de 40 anos, foi detida por agentes federais após o casal desembarcar no Aeroporto de Burbank, na Califórnia, em um voo procedente de São Francisco. A viagem deveria incluir encontros profissionais de Jindra, visitas de Bobreneva a amigos e, posteriormente, uma comemoração pelo aniversário dela na região vinícola de Sonoma County.

Segundo relatos do casal, agentes à paisana se aproximaram e informaram que Bobreneva havia sido selecionada para uma inspeção secundária. Ela foi levada para uma sala e interrogada durante aproximadamente 15 minutos. Jindra entrou em contato com um advogado de imigração, mas, segundo os relatos publicados, os agentes não aceitaram falar com ele. Ao final do procedimento, Bobreneva foi algemada e retirada do aeroporto em um veículo sem identificação.

Bobreneva chegou aos Estados Unidos com visto de turista no final de 2021. Após o início da guerra entre Rússia e Ucrânia, ela obteve extensões de permanência e solicitou asilo em 2022. Em março de 2025, conheceu Jindra e os dois se casaram em dezembro daquele ano.

Em abril de 2026, Jindra apresentou uma petição para que a esposa obtivesse o Green Card por meio do casamento. O processo havia sido aceito para análise e Bobreneva já havia realizado a coleta de impressões digitais quando foi detida.

A situação migratória da russa, entretanto, tornou-se o centro de uma disputa entre a defesa e o governo federal. O advogado dela sustenta que Bobreneva não esteve fora de status legal. O Departamento de Segurança Interna (DHS), por outro lado, afirma que ela permaneceu no país além do período autorizado pelo visto. O governo também ressalta que uma autorização de trabalho ou um pedido migratório pendente, por si só, não concede status legal nos Estados Unidos.

Após a prisão, Bobreneva foi levada para uma instalação do ICE e posteriormente transferida para o Adelanto ICE Processing Center, no deserto de Mojave, na Califórnia.

Ela permaneceu sob custódia migratória durante 16 dias e relatou problemas nas condições de detenção, incluindo dificuldades relacionadas a água, chuveiros, iluminação constante e atendimento médico de algumas detentas. O DHS contestou as acusações sobre as condições da instalação e afirmou que os detidos recebem alimentação, água e cuidados médicos adequados.

Enquanto a esposa permanecia detida, Jindra passou a visitá-la regularmente e buscar sua libertação. Em 29 de julho, Bobreneva foi liberada após o pagamento de uma fiança de US$ 35 mil. Ela deixou a unidade utilizando uma tornozeleira eletrônica e continua submetida ao processo migratório. Sua primeira audiência na Corte de Imigração estava marcada para 22 de outubro.

Apoio a Trump abalado

A experiência provocou uma mudança significativa na maneira como Jindra enxerga a política migratória que anteriormente apoiava.

Ele afirmou que o que o atraía na campanha de Trump era a promessa de combater principalmente a entrada irregular de criminosos. Para Jindra, porém, a prisão da esposa mostrou que o alcance da atual política de fiscalização migratória é mais amplo do que imaginava.

Ao comentar a situação, ele destacou que Bobreneva entrou legalmente nos Estados Unidos e estava tentando regularizar sua permanência por meio dos mecanismos migratórios disponíveis.

A frustração chegou ao ponto de Jindra declarar que agora vive com medo dentro do próprio país.

O caso ganhou repercussão justamente pelo contraste entre a posição política anterior de Jindra e a experiência vivida pela família. Mais do que uma história pessoal, o episódio coloca em evidência uma questão que vem ganhando espaço no debate migratório norte-americano: até onde deve chegar uma política de deportações ampliada quando envolve pessoas sem condenações criminais e com processos migratórios ainda em andamento?

Fonte: Da redação

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