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ICE pode ter coletado DNA de cerca de 920 mil pessoas em um ano; crianças estão entre os casos

Uma expansão silenciosa da coleta de DNA de pessoas sob custódia migratória nos Estados Unidos está provocando questionamentos sobre privacidade, direitos civis e o armazenamento de informações genéticas pelo governo…

Publicado em 08/31/26
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ICE pode ter coletado DNA de cerca de 920 mil pessoas em um ano; crianças estão entre os casos

Uma expansão silenciosa da coleta de DNA de pessoas sob custódia migratória nos Estados Unidos está provocando questionamentos sobre privacidade, direitos civis e o armazenamento de informações genéticas pelo governo federal. Uma investigação publicada pela WIRED, baseada em documentos públicos e pesquisa da Georgetown Law, estima que o Serviço de Imigração e Alfândega (ICE) pode ter enviado ao FBI cerca de 920 mil novos perfis genéticos somente em 2025.

O número não foi divulgado oficialmente pelo ICE. A estimativa foi calculada pelo Center on Privacy & Technology da Georgetown Law após analisar dados do FBI e da Alfândega e Proteção de Fronteiras (CBP).

O banco de perfis de detidos do sistema federal CODIS chegou a aproximadamente 3,34 milhões de registros em dezembro de 2025, após crescer cerca de 995 mil durante o ano. Como documentos mostram que a CBP enviou aproximadamente 75 mil perfis nesse período, pesquisadores estimaram que o ICE poderia responder por até 919.908 das novas inclusões.

As amostras são normalmente obtidas por meio de um cotonete passado no interior da boca. Depois de processado pelo FBI, o perfil genético é incluído no CODIS, banco utilizado por autoridades de segurança de todo o país para comparar DNA com evidências encontradas em investigações criminais.

A controvérsia aumenta porque estar detido pelo ICE não significa necessariamente ter sido condenado por um crime. O programa alcança pessoas mantidas sob custódia por questões migratórias, inclusive procedimentos de natureza civil.

Crianças também aparecem nos registros. O DHS informou a congressistas que o ICE pode coletar DNA de menores a partir dos 14 anos. Entretanto, documentos da CBP analisados pela Georgetown identificaram 492 crianças menores de 14 anos cujos perfis foram enviados ao FBI entre janeiro de 2025 e janeiro de 2026. Entre elas havia crianças de 5, 6 e 7 anos e até uma criança mexicana de 4 anos.

Parlamentares também relataram terem sido informados de que famílias estavam sendo submetidas à coleta de DNA no centro de detenção de Dilley, no Texas. O DHS defende a coleta como ferramenta relacionada à segurança e identificação. Pesquisadores e organizações de direitos civis, por outro lado, questionam a inclusão de pessoas sem condenações criminais e menores de idade em um banco usado em investigações policiais.

A base legal da prática remonta ao DNA Fingerprint Act de 2005. Em 2020, uma mudança promovida pelo Departamento de Justiça eliminou uma exceção que permitia ao DHS dispensar amplamente a coleta de DNA de estrangeiros detidos. O governo afirmou na época que os perfis seriam enviados ao CODIS e poderiam auxiliar investigações federais, estaduais e locais.

O crescimento é expressivo: documentos internos mostram que o ICE havia coletado apenas 3.609 amostras no ano fiscal de 2020. Agora, pesquisadores estimam que a agência possa ter acrescentado centenas de milhares de perfis ao sistema em apenas um ano.

A dimensão do programa abre um novo capítulo no debate sobre a política migratória americana: além de detenções e deportações, cresce agora a discussão sobre até onde o governo pode ir na coleta e armazenamento de informações genéticas de imigrantes e de seus filhos.

Fonte: Da redação

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