Com cerca de 265 mil brasileiros aptos a votar nos Estados Unidos, cenário migratório aumenta a preocupação com o comparecimento às urnas; em Nova York, local escolhido permite manter filas em áreas internas
A aproximação das eleições presidenciais brasileiras de 2026 trouxe uma preocupação adicional para parte da comunidade que vive nos Estados Unidos: as operações realizadas pelo Serviço de Imigração e Alfândega (ICE).
Brasileiros, especialmente na região de Nova York e Nova Jersey, relatam receio de sair de casa e se deslocar até os locais de votação diante do atual cenário de fiscalização migratória. Autoridades brasileiras que acompanham a organização do pleito também avaliam que esse ambiente poderá influenciar o comparecimento às urnas.
A questão ganha dimensão ainda maior porque os Estados Unidos concentram o maior eleitorado brasileiro fora do país. Aproximadamente 265 mil pessoas estão registradas para votar em território norte-americano neste ano.
Em todo o mundo, são 918.876 brasileiros aptos a votar no exterior, contra cerca de 697 mil em 2022. Quem possui domicílio eleitoral fora do Brasil participa apenas da eleição para presidente e vice-presidente da República.
Nova York adota estrutura com filas internas
O cenário migratório foi considerado durante a organização da votação em Nova York.
Neste ano, os eleitores da região terão um endereço diferente. Em vez de Manhattan, utilizado no último pleito presidencial, a votação será realizada em um complexo educacional no Queens.
Uma das características consideradas importantes é a possibilidade de organizar as filas dentro dos prédios, diminuindo a necessidade de milhares de brasileiros permanecerem concentrados nas ruas enquanto aguardam para votar.
A definição do espaço contou com participação da Prefeitura de Nova York e da polícia local. Segundo informações publicadas sobre a preparação da eleição, a preocupação com possíveis ações migratórias esteve entre os fatores considerados na escolha.
A mudança, porém, também trouxe dificuldades.
Brasileiros que vivem em outras regiões atendidas pelo Consulado-Geral em Nova York, incluindo Nova Jersey e a área da Filadélfia, poderão enfrentar trajetos maiores até o Queens. Para alguns eleitores, portanto, o deslocamento se soma à preocupação existente com o atual ambiente migratório.
ICE pode influenciar comparecimento
Não há informação de que o ICE tenha anunciado operações direcionadas aos locais onde brasileiros votarão.
A preocupação relatada está relacionada principalmente à possibilidade de abordagens durante os deslocamentos ou nas proximidades de locais com grande circulação de imigrantes.
Autoridades brasileiras ouvidas pela imprensa afirmaram que o receio envolvendo a fiscalização migratória poderá contribuir para uma redução no comparecimento em algumas regiões dos Estados Unidos. A percepção, entretanto, varia conforme o estado e as políticas adotadas pelas autoridades locais.
O desafio se soma a um problema já conhecido pela Justiça Eleitoral: a elevada abstenção entre brasileiros residentes fora do país.
Eleitorado no exterior bate recorde
Mesmo diante das dificuldades, nunca houve tantos brasileiros registrados para votar fora do país.
O TSE informa que o eleitorado no exterior praticamente dobrou em pouco mais de uma década. Em 2014 eram aproximadamente 354 mil pessoas; agora são mais de 918 mil distribuídas por 186 cidades ao redor do mundo.
Nos Estados Unidos, o crescimento também exige uma estrutura maior para receber os eleitores.
Com o primeiro turno marcado para 4 de outubro, o cenário coloca diante das autoridades brasileiras dois desafios simultâneos: organizar a votação para um número recorde de cidadãos e lidar com a preocupação de parte da comunidade diante das atuais ações de fiscalização migratória.
Para os brasileiros que pretendem comparecer às urnas, a recomendação oficial é consultar antecipadamente o local correto de votação pelos canais da Justiça Eleitoral e planejar o deslocamento.
Em 2026, portanto, a participação dos brasileiros nos Estados Unidos será acompanhada não apenas pelo crescimento histórico do eleitorado, mas também pelos possíveis reflexos do atual cenário migratório sobre o comparecimento às urnas.





