Da Redação
O Gabinete do Procurador-Geral de Nova Jersey está investigando denúncias de que agentes do Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE) estariam utilizando um grande armazém em Roxbury, no Condado de Morris, para manter temporariamente imigrantes detidos, apesar de uma ordem judicial que restringe o uso da propriedade.
O imóvel, localizado próximo à Route 46 e com aproximadamente 470 mil pés quadrados, está no centro de uma disputa judicial desde que o Departamento de Segurança Interna (DHS) demonstrou interesse em transformá-lo em uma instalação para processamento e detenção de imigrantes. O governo federal comprou a propriedade em fevereiro por cerca de US$ 129 milhões.
Em maio, um acordo judicial determinou que o DHS não poderia avançar com a transformação do armazém em centro de detenção enquanto não concluísse uma avaliação ambiental e retornasse à Justiça. O governo pode realizar trabalhos limitados de segurança e manutenção, como instalação de câmeras, iluminação e cercas temporárias, mas o uso do local para manter detentos está no centro das novas alegações.
As suspeitas ganharam força após uma operação migratória realizada em Dover, em 4 de setembro. Ativistas afirmam ter acompanhado veículos utilizados durante as detenções e observado automóveis com as mesmas características entrando e saindo posteriormente da propriedade em Roxbury.
Segundo o grupo Project NINJA — No ICE North Jersey Alliance, pelo menos um imigrante detido na operação teria sido levado ao armazém antes de ser transferido para outra instalação. David Broderick, advogado do grupo, disse à News 12 que o homem teria permanecido no local por “uma ou duas horas” antes de ser levado para outro centro de detenção.
Sandra Wittner, integrante do Conselho Municipal de Dover, também relatou ter conversado com a filha de um homem detido na operação. Segundo ela, informações fornecidas pela família levantaram a suspeita de que ele teria passado por Roxbury antes de ser processado no centro de detenção de Elizabeth e posteriormente transferido para Delaney Hall, em Newark.
Diante das denúncias, autoridades estaduais informaram formalmente à Justiça que estão examinando se as atividades no imóvel desrespeitaram o acordo firmado anteriormente. Em documento apresentado ao tribunal em 15 de setembro, advogados de Nova Jersey e de Roxbury disseram que, caso seja constatado descumprimento da ordem, poderão solicitar novas medidas ao juiz responsável pelo processo.
O Gabinete do Procurador-Geral afirmou estar analisando cuidadosamente os relatos. Segundo o porta-voz Mike Symons, se o ICE tentar transformar o imóvel de Roxbury em uma instalação de detenção, isso violaria uma ordem judicial, e o Estado poderá adotar as medidas necessárias caso seja comprovado algum descumprimento.
Até o momento, não há confirmação oficial de que o armazém esteja sendo utilizado regularmente como centro de detenção, e as alegações continuam sob investigação. Questionado sobre a movimentação no local, o Departamento de Segurança Interna não entrou em detalhes e informou que não faria comentários adicionais devido ao processo judicial em andamento.
A controvérsia mantém o armazém de Roxbury no centro do debate sobre a expansão da infraestrutura de detenção migratória em Nova Jersey. O governo federal informou à Justiça que ainda avalia se seguirá ou não com os planos de converter definitivamente a propriedade em uma instalação de detenção e, até agora, não apresentou um prazo para tomar essa decisão.





