
No dia 17 de outubro de 2026, a Volaris Airlines inaugurou seu voo sem escala de Boston a Guadalajara e, através da Globo Travel, eu fui convidado para esta aventura. Para esclarecer, a Volaris só cedeu a passagem básica, o resto saiu do meu bolso.

Antes de falar da viagem, vamos falar um pouco da Volaris Airlines, que tem como nome oficial apenas Volaris. A empresa tem sua sede na Cidade do México e se destaca por oferecer passagens aéreas a preços competitivos, conectando diversas cidades do México, dos Estados Unidos e da América Central.

Sua frota é composta principalmente por aeronaves da família Airbus A320, incluindo os modelos A320neo e A321neo, conhecidos pela eficiência no consumo de combustível.

A Volaris segue um modelo de negócios em que o passageiro paga uma tarifa básica e pode contratar serviços adicionais, como bagagem despachada, escolha de assentos e alimentação a bordo. Esse foi o meu caso. Eles me deram a tarifa básica, mas o resto eu paguei. Eu fui de premium, que me deu direito a refrigerante e um salgado.

Na ida, a tripulação foi muito simpática e até bati um papo com um dos pilotos. O voo de retorno já não posso comentar, pois vim dormindo o voo inteiro.

Quanto aos assentos, são os mais simples possíveis. Eu e o Carlos, dono da Globo Travel, testamos vários assentos no avião para ver se havia diferença entre os da premium e os outros. Conclusão, não há. Nenhum assento inclina, mas tem uma distância boa entre eles, e as aeronaves nos dois voos eram bem novas. Se eu recomendo? Para quem quer economizar e voar leve, é uma boa pedida.
Esta viagem foi feita de última hora. O convite veio de repente e não houve tempo de planejamento, algo que eu faço muito em todas as minhas viagens. Fomos improvisando conforme íamos conhecendo, com exceção da nossa ida a Tequila, para a qual usamos uma agência de turismo local.
Guadalajara é o berço do mariachi e da tequila. Eu já fui ao México milhares de vezes, principalmente quando morava em San Diego, e ia sempre de moto. Uma coisa no mexicano não muda, a sua simpatia interminável.
Logo que chegamos ao hotel, por volta das 4 horas da tarde, fomos explorar a cidade. O primeiro destino foi San Pedro Tlaquepaque, mais conhecido somente por Tlaquepaque. Apesar da proximidade, não é um bairro de Guadalajara, é um município independente.

O táxi nos deixou na porta do El Parián, que visto de fora mais parece um antigo mercado mexicano, com uma construção de apenas um andar que ocupa boa parte do quarteirão. Olhando de fora, eu nunca ia imaginar que havia vários restaurantes em volta de um pátio com um palco de shows em forma de quiosque.

Tanto por fora como por dentro, é uma arquitetura tradicional mexicana, com arcos muito bonitos cercando o El Parián todo.

Como estávamos com fome, escolhemos um dos restaurantes e aproveitamos muito a comida mexicana com música, um show de mariachi ao vivo. Fomos informados de que tem show todos os dias das 3 até as 5 horas da tarde. Foi uma tarde muito agradável.
Depois fomos explorar um pouco da região em volta e caminhamos um pouco no Andador Independencia. Devido ao cansaço do voo, voltamos logo para o hotel.

Tlaquepaque é um local que eu recomendo conhecer com mais tempo, podendo explorar mais o Andador Independencia. O ideal é começar na esquina da Av. Niños Héroes com a Calle Independencia, ir caminhando até o El Parián e terminar o passeio assistindo a um show de mariachi e comendo um prato mexicano.

No dia seguinte fomos para a Catedral da Assunção de Nossa Senhora, conhecida como Catedral de Guadalajara. Tivemos que caminhar um pouco, pois a rua era só para pedestres. No caminho vimos várias charretes e, para nossa alegria, não eram puxadas por cavalos.

Be em frente à Catedral de Guadalajara fica a Plaza Guadalajara, também conhecida como Plaza de los Laureles. O destaque da praça é um grande chafariz circular com uma taça bem no meio.

Eu tive dificuldade de definir o estilo da arquitetura da Catedral, uma mistura de arquitetura renascentista, barroca e neogótica. O que mais chama a atenção são suas duas torres pontiagudas, com cores diferentes do resto da fachada da Catedral.

Por dentro, a Catedral é completamente diferente do que eu esperava. Por fora tem um tom mais discreto e por dentro tem cores mais claras. Apesar de mais clara do que eu imaginava, as cores são suaves, com detalhes dourados. As paredes e colunas apresentam tons claros de creme, branco e bege, enquanto os altares exibem detalhes em dourado. Para quem gosta de fotografia, a luz é perfeita.

Quando saímos da Catedral, estava começando uma manifestação, assim resolvemos sair dali e fomos dar uma volta de charrete sem cavalo. Passamos por alguns pontos históricos da cidade, mas o que mais chamou a atenção foi a porta do histórico Panteón de Belén, em Guadalajara, conhecido pelas lendas de fantasmas e pela história do Vampiro de Guadalajara (veja foto abaixo).

Segundo a lenda do Vampiro de Guadalajara, o homem foi acusado de vampirismo porque, após sua chegada à cidade, começaram a ocorrer mortes misteriosas de animais e, posteriormente, de pessoas.
As vítimas eram encontradas sem explicação aparente para suas mortes e, em algumas versões da história, apresentavam marcas no pescoço e sinais de perda de sangue. A população, assustada com os acontecimentos, passou a acreditar que um vampiro estava atacando durante a noite.
As suspeitas recaíram sobre um homem estrangeiro, descrito como misterioso e de comportamento estranho, que supostamente evitava o contato com os moradores e saía apenas depois do anoitecer.
De acordo com a tradição popular, os habitantes decidiram capturá-lo e matá-lo com uma estaca de madeira atravessada no coração, enterrando seu corpo no Panteón de Belén.
O detalhe mais curioso é que, segundo a lenda, a estaca teria criado raízes e se transformado em uma árvore que cresceu sobre o túmulo.
A famosa árvore do Vampiro de Guadalajara, localizada no Panteón de Belén, é cercada por uma grade de proteção para impedir que visitantes se aproximem demais ou danifiquem seu tronco.

Após o almoço fomos caminhando até o Hospicio Cabañas, que fica a uns 16 minutos da Catedral segundo o Google Maps, mas é lógico que, como turista, foi uma eternidade. É uma caminhada muito interessante. O percurso tem aproximadamente 1,2 quilômetro e atravessa uma das regiões mais cheias de monumentos, praças e construções antigas.

No caminho passamos pelo Teatro Degollado e, logo atrás do teatro, encontra-se a Fuente de los Fundadores.

Depois passamos pela Fuente Paseo Degollado. Diferentemente dos chafarizes tradicionais, ela forma um longo e raso espelho d'água que ocupa a parte central do calçadão, com pequenos jatos que brotam diretamente do chão. É um local muito agradável, com lojas e algumas barraquinhas vendendo artesanato.Seguindo a caminhada, chegamos à região da Plaza Tapatía, que já é bem mais ampla. À nossa direita havia um espaço tipo uma praça com bastantes árvores, e o interessante era uma escultura metálica chamada Cabeza de Quetzalcóatl, que é uma cabeça da Serpente Emplumada.

Antes de irmos em frente, atravessamos esta praça e fomos até o Escudo de Armas de la Ciudad de Guadalajara, que é um monumento de dois leões em pé apoiados em um pinheiro. O que chama a atenção são os detalhes que este brasão demonstra.

Voltando em direção à parte principal da Plaza Tapatía, bem no centro há um chafariz com um conjunto de cinco grandes figuras de bronze, com destaque para a escultura central, que se eleva a aproximadamente 25 metros de altura e homenageia Quetzalcóatl, a Serpente Emplumada.

Quetzalcóatl, a Serpente Emplumada (fonte Google), é uma das divindades mais importantes da mitologia mesoamericana. Seu nome tem origem na língua náuatle e combina as palavras quetzalli, que se refere às penas brilhantes do pássaro quetzal, e coatl, que significa serpente, simbolizando a união entre a terra e o céu.

Considerado um deus criador e herói cultural, era venerado por diferentes civilizações, incluindo astecas, toltecas e maias, que o conheciam como Kukulkán. Associado à sabedoria, ao conhecimento, às artes e ao vento, Quetzalcóatl também desempenhava um papel fundamental nas histórias sobre a origem da humanidade.
Segundo a mitologia, teria inventado o calendário, oferecido aos seres humanos o milho, alimento essencial para sua sobrevivência, e descido ao mundo dos mortos para recuperar ossos antigos. Utilizando esses ossos e seu próprio sangue, teria dado origem à humanidade da era atual. Sua figura permanece como um dos símbolos mais importantes da cultura e das tradições do México.

Seguindo em frente, já bem perto do nosso destino, à direita na foto aparece um edifício, e a entrada do Mercado San Juan de Dios fica no edifício ao fundo, atrás da fonte dos golfinhos. Nós preferimos seguir em frente devido ao pouco tempo que tínhamos para chegar ao Hospicio Cabañas.

Finalmente, antes de chegar ao museu, passamos pela Fuente de los Danzantes, que é um espelho d'água, só que bem maior. As crianças estavam dentro brincando, até com bola. Ouvi falar que tem um chafariz forte, só que não estava funcionando no momento. Ao redor tem um calçadão bem espaçoso. Foi muito bom ver a criançada se divertindo na água, um ambiente bem familiar.

Agora estávamos prontos para entrar no museu, mas antes fomos tirar fotos na Sala de los Magos Cósmicos. São várias cadeiras e sofás de metal, um mais estranho que o outro. Vale uma foto.

Alerta! No museu Hospicio Cabañas você tem que deixar sua bolsa ou mochila com eles. Eu recomendo muito sempre levar um cadeado para colocar na sua mochila em situações como esta.

Apesar do nome Hospicio Cabañas, não era especificamente um hospital psiquiátrico ou uma instituição exclusiva para pessoas com deficiência mental. O Hospicio Cabañas foi inaugurado em 1810 como uma instituição de assistência social destinada a acolher órfãos, idosos, pessoas com deficiências físicas e mentais e indivíduos em situação de pobreza.

Durante quase dois séculos, o complexo desempenhou um importante papel humanitário em Guadalajara, antes de ser transformado em um museu e centro cultural.

A construção é muito impressionante, é uma atração por si própria. São corredores longos e arcos grandes pelo complexo todo. As paredes são tão maciças que, se você tentar dar uma batida com a mão, dá para sentir o quanto são sólidas. O edifício foi reconhecido como Patrimônio Mundial pela UNESCO em 1997.

Após a entrada tem um pátio que leva para a parte central, que era a antiga capela, justamente onde se encontra, na cúpula, a pintura El Hombre de Fuego. São mais de 50 murais espalhados que contam um pouco da história do México.

Parada final, a Avenida Chapultepec, o local mais movimentado de Guadalajara, com vários restaurantes com música ao vivo e muita gente andando pela avenida. No centro tem um calçadão com as tradicionais barraquinhas vendendo as famosas bugigangas. Mas, para ver todo este movimento, tem que ir somente na sexta ou no sábado à noite.

Na próxima matéria vou falar sobre a nossa ida à cidade de Tequila, onde eu aprendi de tudo sobre a bebida, da planta de onde vem até como é feita e como se bebe.
Viajar e fotografar é uma forma maravilhosa de eternizar momentos, descobrir novos olhares e reviver, para sempre, as emoções de cada destino visitado.
Eu sempre acredito que é importante contar com um agente de viagens de confiança. Eu tenho o meu e espero que você também tenha o seu.
Todas as viagens que compartilho aqui foram realizadas com os meus próprios recursos. Nenhuma delas foi patrocinada ou presenteada por ninguém. O que você lê é a minha experiência real, paga do meu bolso e vivida do meu jeito, como qualquer viajante comum.
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Fonte: Moxley on the Move




