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Jovem brasileira é levada dos EUA para país africano em operação do ICE

Uma jovem brasileira passou a viver uma situação inesperada após deixar a custódia migratória nos Estados Unidos. Paola Ferreira dos Santos, de 21 anos, foi colocada em um voo organizado pelas autoridades americanas e…

Publicado em 09/16/26
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Jovem brasileira é levada dos EUA para país africano em operação do ICE

Uma jovem brasileira passou a viver uma situação inesperada após deixar a custódia migratória nos Estados Unidos. Paola Ferreira dos Santos, de 21 anos, foi colocada em um voo organizado pelas autoridades americanas e acabou na Libéria, na África Ocidental, apesar de não ser cidadã do país.

Paola contou à CBS News que embarcou sem saber que seria levada para território liberiano. De acordo com seu relato, a confirmação veio somente quando chegou a Monróvia, em 20 de agosto.

A brasileira fazia parte de um grupo formado por pessoas de várias nacionalidades. Quinze desembarcaram na Libéria, segundo informações divulgadas posteriormente. Entre elas estavam cidadãos de países da América Latina e da África. Nenhum dos integrantes desse grupo era liberiano.

Nova estratégia migratória

A viagem ocorreu dentro de uma modalidade conhecida como remoção para “terceiros países”. Na prática, os Estados Unidos podem encaminhar determinadas pessoas para uma nação diferente daquela de sua cidadania.

A Libéria firmou um acordo para receber até 1.200 pessoas nessa situação durante um período de 12 meses. O governo liberiano informou que os estrangeiros recebidos podem solicitar asilo no país.

O primeiro voo previsto pelo acordo chegou em agosto. Inicialmente, cerca de 20 pessoas estavam a bordo, mas cinco não permaneceram na Libéria e foram posteriormente levadas para a Guiné Equatorial.

Brasileiros também são alcançados pela medida

A presença de Paola entre os passageiros mostra que brasileiros também podem aparecer nos casos envolvendo transferências para terceiros países.

Segundo a CBS News, grande parte das pessoas entrevistadas na Libéria havia conseguido decisões judiciais que impediam sua remoção para seus respectivos países de origem diante de riscos apontados em seus processos. Essas proteções, porém, não significavam autorização permanente para permanecer nos Estados Unidos.

Os entrevistados também afirmaram à emissora que não receberam previamente do ICE a informação de que seriam enviados à Libéria. A alegação é dos próprios imigrantes entrevistados.

Famílias ficaram nos Estados Unidos

Alguns dos integrantes do grupo deixaram familiares em território americano. O hondurenho Elvis Rodriguez Venturas, por exemplo, relatou ter esposa e quatro filhos nos Estados Unidos. Já o venezuelano Carlos Tellez Sanchez deixou a mulher e um filho no Texas.

Na Libéria, o grupo recebeu acomodação e assistência básica. De acordo com as informações disponíveis, essas pessoas não estão formalmente detidas e podem solicitar proteção no país, embora entrevistados tenham relatado dificuldades para definir o que farão a partir de agora.

Governo americano defende procedimento

O Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos (DHS) afirmou à CBS News que a administração está utilizando mecanismos previstos na legislação para ampliar as remoções migratórias. O governo também mantém um programa de saída voluntária para determinadas pessoas sem situação migratória regular.

Já a Libéria afirma que os estrangeiros recebidos pelo acordo serão tratados como hóspedes e poderão pedir asilo caso desejem permanecer no país.

Para Paola, o episódio significou uma mudança de continente sem que, segundo ela, soubesse antecipadamente onde desembarcaria. Agora, a brasileira está a milhares de quilômetros dos Estados Unidos e do Brasil enquanto decide quais caminhos poderá seguir.

O caso ocorre em meio à ampliação dos acordos dos Estados Unidos com outros países para receber pessoas que não são suas cidadãs, colocando essa modalidade de remoção no centro do debate migratório americano.

Fonte: Da redação

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