Um cidadão mexicano em situação irregular, acusado de provocar um incêndio em um prédio residencial em Nova York que deixou quatro mortos e sete feridos, pode acabar sendo libertado, segundo o Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos (DHS). De acordo com o órgão, a cidade se recusa a atender a solicitação para transferi-lo às autoridades de imigração.
Identificado como Roman Amatitla, de 38 anos, morador de Maspeth, ele responde a oito acusações de homicídio em segundo grau e incêndio criminoso em primeiro grau. O crime teria ocorrido em 16 de março, quando ele supostamente ateou fogo a um edifício de três andares em Flushing, escolhido aleatoriamente.
A promotora do distrito de Queens, Melinda Katz, informou que, no dia do incidente, o acusado entrou e saiu do prédio na Avery Avenue diversas vezes, urinou em frente às unidades e, em seguida, foi a um posto de gasolina nas proximidades. Lá, comprou uma cerveja, furtou outra e pegou fósforos após se recusar a pagar por um isqueiro.
As investigações apontam que ele retornou ao prédio pela quarta vez, acendeu um papel e o lançou sobre lixo próximo à escada, iniciando o incêndio.
Ainda segundo Katz, o homem permaneceu nas imediações enquanto o fogo se espalhava, observando moradores tentarem escapar — alguns pulando pelas janelas — enquanto consumia a bebida. A promotora classificou a ação como um “ato de assassinato em massa”.
Na terça-feira, o Serviço de Imigração e Alfândega (ICE) pediu ao Departamento de Correções de Nova York (NYCDOC) que não liberasse o suspeito da prisão. No entanto, com base nas políticas de cidade-santuário, o órgão municipal informou que não irá colaborar com o pedido.
Em declaração à imprensa, a secretária-assistente interina do DHS, Lauren Bis, criticou a decisão. Segundo ela, a recusa em cooperar com o ICE coloca a segurança pública em risco e pode permitir que o acusado volte a cometer crimes.
O DHS também afirma que uma ordem executiva do prefeito Zohran Mamdani protege imigrantes irregulares com antecedentes criminais. A medida teria sido adotada após uma proposta da governadora Kathy Hochul para restringir a colaboração entre forças policiais locais e agentes federais de imigração.
De acordo com dados divulgados pelo departamento, entre 20 de janeiro e 1º de dezembro, cerca de 6.947 imigrantes em situação irregular foram liberados por autoridades de Nova York mesmo com pedidos de detenção do ICE. Entre os crimes atribuídos a esse grupo estão homicídios, agressões, roubos, tráfico de drogas, crimes com armas e delitos sexuais.
O DHS informou ainda que mais de 7 mil pessoas sob custódia em jurisdições de Nova York tinham ordens ativas de detenção no mesmo período, também relacionadas a crimes graves.
As autoridades confirmaram que Amatitla está no país de forma irregular, mas ainda não há informações claras sobre quando e por onde ele entrou nos Estados Unidos.





