Duas famílias de imigrantes vivendo em Rockford, Illinois, enfrentam crescentes incertezas e temores diante do aumento das operações de imigração conduzidas pelo Departamento de Imigração (ICE, sigla em inglês). Enquanto tentam se adaptar a uma nova vida, essas famílias, vindas da América Latina, relatam medo de serem detidas antes mesmo de terem a chance de apresentar seus casos na Justiça de imigração.
Alguns desses imigrantes chegaram aos Estados Unidos solicitando asilo político; outros, por meio do programa de liberdade condicional humanitária implementado durante o governo Biden. O programa, no entanto, não foi renovado ao fim do mandato, sendo encerrado pelo governo Trump. Agora, milhares de imigrantes que utilizavam essa via legal vivem sob o risco de detenção e deportação imediata, mesmo sem julgamento.
Uma mãe, três filhos e um recomeço
Rosa, nome fictício usado por questões de segurança, chegou a Rockford há cerca de um ano e meio, após uma longa e perigosa travessia desde o Equador — uma jornada marcada por selvas traiçoeiras e áreas dominadas por sequestradores armados. Mãe de três filhos, ela decidiu arriscar tudo para garantir um futuro melhor às crianças, fugindo da violência em sua terra natal, a Venezuela.
“Eu morreria para cuidar dos meus filhos”, afirmou.
Para amenizar o medo dos filhos durante a travessia, Rosa fingia que estavam em uma excursão. Agora, com o apoio de voluntários da organização Rockford Action for Immigrants, que oferece ajuda com moradia, vestuário e assistência jurídica, os três filhos estão matriculados na escola. A adaptação, especialmente para o filho do meio, foi difícil. A virada veio quando ele entrou para um time de futebol.
“Ele nem conseguia dormir. Agora chega em casa cansado e dorme tranquilo”, disse Rosa. A filha mais velha acaba de se formar no ensino médio e planeja ingressar na faculdade. “É um momento de muito orgulho como mãe”, completou.
Apesar dos avanços, o medo continua. Recentemente, durante um treino de futebol, notícias sobre operações do ICE em Rockford fizeram a família cancelar todos os compromissos e permanecer em casa.
Dois irmãos e o sonho de reunir a família
Do outro lado da cidade, os irmãos Luis e Francisco, da Nicarágua, vivem situação semelhante. Ambos são pais de gêmeos, que ficaram no país de origem. Vieram aos Estados Unidos em busca de oportunidades, não de conflito.
“Não viemos aqui para tirar o emprego de ninguém ou causar problemas”, disse Francisco. “Só queremos um futuro melhor para nossa família.”
Com o que ganham trabalhando nos EUA, agora conseguem pagar escolas particulares para os filhos, que estudam inglês — algo que antes seria impossível. “Todos os dias pedimos a Deus para nos reunir novamente”, disse Luis.
A despedida ainda dói. “No meu último dia em casa, uma das minhas filhas chorava tanto… foi difícil”, lembra.
Apesar das ameaças crescentes de deportação e da ausência da família, os irmãos mantêm a esperança de um reencontro nos Estados Unidos e de seguirem, juntos, construindo seu sonho americano.





