Pense nisso por um momento…
Não o que você faz, mas sim o que você sente.
Tem gente que sente angústia. Tem gente que sente irritação. Tem gente que sente um cansaço que não sabe bem de onde vem. E tem gente que sente as três coisas ao mesmo tempo, e ainda assim corre para resolver, porque é mais fácil agir do que perceber.
O choro de uma criança não é neutro para nenhum adulto. Ele ativa algo. E o que ele ativa em você tem muito menos a ver com o seu filho do que parece.
Quando o choro incomoda demais, quando a emoção do outro gera urgência em fazer parar, geralmente é porque algum lugar dentro de você também aprendeu que chorar era demais, que não se podia sentir ou expressar aquilo pois incomodava o outro. Que era melhor engolir.
Isso tem um nome: gatilho emocional. É quando a emoção do outro acende uma memória que não foi totalmente processada na sua.
Não é fraqueza. É biologia. É história. É o que acontece quando crescemos em ambientes onde certas emoções não tinham espaço.
O problema não é ter gatilhos, todo adulto tem. O problema é quando eles comandam a resposta que damos aos nossos filhos, sem que percebamos.
Porque a criança que aprende que o choro incomoda, aprende a não chorar. E a criança que aprende a não chorar, aprende a não sentir. E a criança que aprende a não sentir… um dia vira o adulto que dá conta de tudo e não sabe o que está sentindo!
Reconhecer o próprio gatilho não é se culpar. É o primeiro gesto de cuidado, com você e com quem você educa.
Proteger uma criança começa na forma como você educa.





