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Coluna Lucy: O Respiro Entre o Café e a Apressada Rotina

Há quem diga que o dia só começa depois da primeira xícara de café. Outros garantem que ele engrena de verdade quando abrimos a porta de casa e nos deparamos com o trânsito, as buzinas e a pressa alheia. Mas já parou…

Publicado em 08/24/26
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Coluna Lucy: O Respiro Entre o Café e a Apressada Rotina

Há quem diga que o dia só começa depois da primeira xícara de café. Outros garantem que ele engrena de verdade quando abrimos a porta de casa e nos deparamos com o trânsito, as buzinas e a pressa alheia. Mas já parou para pensar em como andamos vivendo no modo automático?

Cruzamos ruas conhecidas sem notar a nova pintura no muro da esquina. Cumprimentamos o porteiro com um "bom dia" que soa mais como um reflexo mecânico do que como um desejo verdadeiro. Estamos sempre a caminho de algum lugar, correndo contra o relógio, enquanto a vida, irônica como ela só, acontece justamente nesse intervalo.

Olhamos para as telas enquanto caminhamos, respondemos mensagens enquanto almoçamos e planejamos o fim de semana ainda na segunda-feira pela manhã. A ansiedade virou o passageiro silencioso no banco do carona da nossa rotina.

Talvez o segredo não seja desacelerar tudo — até porque os prazos continuam lá —, mas sim aprender a criar pequenos bolsões de presença. Deixar o celular no bolso durante uma caminhada de dez minutos. Ovir uma música prestando atenção na letra. Olhar nos olhos de quem fala conosco.

Antigamente, as calçadas eram extensões das salas de estar. Bastava o sol dar uma trégua no fim da tarde para que as cadeiras de fita surgissem nos portões. O assunto? Qualquer coisa. A chuva que atrasou, o preço do pão, o cachorro do vizinho que aprendeu um truque novo. Não havia pauta, não havia objetivo. Era apenas a convivência pelo puro prazer de estar junto.

Hoje, se alguém nos liga sem avisar, o coração dispara. “O que aconteceu?”, pensamos imediatamente. Transformamos a comunicação em uma série de tarefas eficientes: áudios em velocidade 2x, mensagens objetivas e reuniões com pauta pré-definida. Ficamos excelentes em otimizar o tempo, mas terrivelmente desaprendidos na arte de perder tempo juntos.

Substituímos o improviso do encontro pelo controle das telas. Ficamos mais eficientes, mas muito menos imprevisíveis.

A "conversa fiada" ganhou uma fama injusta de futilidade, quando na verdade ela é o cimento das relações humanas. É no assunto sem importância que a gente descobre os medos, os risos fáceis e as manias do outro. É no espaço em branco de uma tarde sem compromissos que nascem as melhores memórias.

Não se trata de criticar a tecnologia, ela nos salva todos os dias, mas de resgatar o valor do que não tem utilidade imediata. Um café sem olhar para o relógio, um papo furado no elevador que dura mais do que o esperado, uma risada por algo bobo.

Desligue um pouco o piloto automático da produtividade. Puxe uma cadeira (ainda que metafórica), chame alguém e se permita o luxo de jogar conversa fora.


Dr. Luana Marques

A grande ironia do nosso tempo é que nunca fomos tão conectados e, ao mesmo tempo, tão ausentes do presente.

O mundo vai continuar girando rápido, exigindo respostas imediatas e metas batidas. No entanto, a forma como atravessamos esse turbilhão ainda é uma escolha individual. Que hoje, entre uma urgência e outra, você se permita um segundo de pausa real. Afinal, a vida não é o destino final, mas o cenário que passa pela janela enquanto a gente corre.

Fonte: Da redação

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