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Coluna Tiago Prado - Brookfield compra Reliance: o que o deal revela sobre Home Services

A Brookfield concordou em adquirir a Reliance Worldwide, fabricante de soluções para plumbing e heating, por US$ 2,8 bilhões de enterprise value . O deal indica que private equity está olhando além dos contractors e…

Publicado em 09/19/26
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Coluna Tiago Prado - Brookfield compra Reliance: o que o deal revela sobre Home Services

A Brookfield concordou em adquirir a Reliance Worldwide, fabricante de soluções para plumbing e heating, por US$ 2,8 bilhões de enterprise value. O deal indica que private equity está olhando além dos contractors e valorizando fabricantes, canais de distribuição e produtos ligados à demanda recorrente por reparo e substituição.

Em 15 de setembro, a Brookfield anunciou um acordo para comprar 100% da Reliance Worldwide Corporation. A proposta em dinheiro é de US$ 3,38 por ação, e o conselho da Reliance a recomendou por unanimidade. A conclusão é esperada para o primeiro trimestre de 2027, ainda sujeita à aprovação dos acionistas, reguladores e governos relevantes.

O ponto que interessa ao operador de Home Services é simples. A Reliance não instala plumbing. Ela vende produtos usados por quem instala. A empresa controla marcas como SharkBite, conhecida por conexões push-to-connect, e atende clientes por canais de distribuição e varejo.

A cadeia funciona assim: fabricante, distribuidor, contractor, homeowner. Cada etapa pode proteger ou apertar a margem de quem está na ponta.

A Brookfield explicou sua tese de forma direta. A Reliance tem marcas consolidadas, relacionamento durável com clientes e exposição à necessidade de substituição em casas antigas. A gestora também citou a aceitação maior de seus produtos por uma nova geração de profissionais de ofício.

Isso importa porque reparo e substituição não dependem somente do ciclo de novas construções. Um homeowner pode adiar uma reforma, mas um vazamento, um aquecedor quebrado ou uma conexão defeituosa continuam exigindo serviço.

Let's be real. A Brookfield não pagou US$ 2,8 bilhões por encanamento. Pagou por presença em uma etapa da cadeia que abastece milhares de plumbers e contractors.

A referência de mercado de 12,1 vezes o EBITDA ajustado de FY2026, em base pós-AASB 16, ajuda a explicar a qualidade percebida do ativo. Mas não deve virar um número mágico para quem tem uma empresa local. O múltiplo incorpora uma plataforma global, marcas estabelecidas, distribuição e uma posição diferente na cadeia.

Para o empresário brasileiro que opera HVAC, plumbing, elétrica ou qualquer serviço residencial, a leitura não é “o produto vai subir de preço amanhã”. A transação ainda não foi concluída, e a Brookfield não anunciou alterações comerciais.

A leitura correta é outra. Você precisa saber onde sua operação depende de terceiros. Quais fornecedores determinam o prazo? Qual distribuidor concentra suas compras? Você consegue repassar o custo? Seus dados mostram margem por tipo de serviço, técnico e cliente?

Quem quer comprar uma empresa de Home Services também precisa sair do P&L superficial. Uma Due Diligence em M&A séria testa fornecedores, concentração de receita, contratos e recorrência. E a análise de por que private equity procura o próximo HVAC ajuda a enxergar os setores que já atraem capital institucional.

Control comes from clarity. Em Home Services, clareza não termina no cliente. Ela começa na cadeia que mantém o serviço de pé.

Fonte: Da redação

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