A rotina de parte da comunidade de Danbury, em Connecticut, mudou nos últimos dias. Ruas com menos movimento, famílias mais cautelosas e comerciantes atentos à presença de agentes federais passaram a fazer parte do cenário após uma sequência de ações relacionadas à fiscalização migratória.
De acordo com informações divulgadas pela imprensa local, mais de 50 pessoas foram levadas sob custódia pelo Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE) no período de uma semana.
A quantidade de casos chamou a atenção de autoridades e organizações que trabalham com a população imigrante. Moradores relatam que o receio de novas abordagens levou algumas pessoas a reduzir atividades fora de casa, principalmente no período noturno.
Um dos casos que ganhou repercussão envolve Johnny Queda, de 28 anos. O equatoriano foi abordado por agentes federais na quinta-feira quando estava em seu caminhão.
Kimberly Rivas, noiva de Queda, disse à imprensa local que ele vive nos Estados Unidos há cinco anos e trabalha na construção civil. Segundo ela, o companheiro possui advogado e está buscando resolver sua situação migratória no país.
Rivas afirmou ainda que Queda estava retornando do trabalho quando ocorreu a abordagem e destacou que ele declara e paga seus impostos.
Também foram registrados outros encontros entre agentes e moradores em áreas comerciais. Em uma dessas situações, uma comerciante gravou uma ação ocorrida diante de seu estabelecimento.
Primeiro dia de aula teve presença de agentes na região
Além das abordagens envolvendo trabalhadores e moradores, a localização de algumas ações passou a preocupar famílias com crianças em idade escolar.
O prefeito Roberto Alves informou que agentes foram vistos perto de uma escola de ensino fundamental na manhã de terça-feira, quando estudantes retornavam às aulas.
O horário coincidia com a chegada dos ônibus escolares e com a movimentação de pais levando os filhos para a escola.
Segundo o prefeito, as ações não ocorreram dentro da instituição de ensino. A presença dos agentes, porém, teria sido registrada do lado de fora e em áreas próximas.
Alves também mencionou relatos semelhantes nas proximidades de creches. Para a administração municipal, esse cenário tem provocado apreensão entre pais e responsáveis, especialmente dentro da comunidade imigrante.
Embora a atuação de autoridades federais de imigração já seja conhecida em Danbury, o prefeito considera que o ritmo observado nesta semana foi diferente do registrado anteriormente.
Brasileiro, Alves também relacionou o assunto à própria trajetória familiar. Ele chegou aos Estados Unidos aos 5 anos e contou que enfrentou uma situação migratória irregular durante a infância.
Organizações ampliam orientação aos moradores
Com o aumento das preocupações, grupos comunitários passaram a reforçar ações de orientação e apoio.
A Danbury Unites for Immigrants está entre as organizações mobilizadas. Aurora Daly, representante do grupo, explicou que o objetivo é ajudar os moradores a conhecer seus direitos e compartilhar informações relevantes sobre a movimentação de autoridades de imigração na cidade.
Representantes públicos também acompanharam a situação ao longo da semana.
As autoridades municipais não têm poder para interromper operações conduzidas pelo governo federal, mas lideranças locais afirmam que continuarão acompanhando os impactos dessas ações sobre a população.
Enquanto isso, a atenção permanece voltada para Danbury. Depois de uma semana marcada por dezenas de detenções, parte da comunidade aguarda para saber se o aumento da fiscalização migratória continuará nos próximos dias.





