Da Redação
O governo do presidente Donald Trump aumentou para US$ 3 mil o incentivo financeiro oferecido a determinados imigrantes que concordarem em deixar voluntariamente os Estados Unidos por meio do programa CBP Home. Além do pagamento, o governo federal oferece assistência para organizar e custear a viagem de retorno.
O novo valor representa mais um aumento no programa utilizado pela administração Trump para estimular a chamada “autodeportação”. Em janeiro de 2026, o Departamento de Segurança Interna (DHS) havia elevado o benefício para US$ 2.600. Agora, a página do CBP Home informa um bônus de US$ 3 mil para participantes elegíveis.
De acordo com o DHS, o dinheiro é entregue depois que a saída dos Estados Unidos é confirmada. O programa também prevê viagem sem custo e, em determinadas circunstâncias, o perdão de multas civis relacionadas à permanência no país após uma ordem para deixar o território americano.
O CBP Home funciona por meio de um aplicativo utilizado para comunicar ao governo a intenção de deixar voluntariamente os Estados Unidos. Depois do registro, as informações são verificadas pelas autoridades e, quando o participante solicita assistência, o governo pode ajudar na organização do voo e na obtenção de documentos necessários para a viagem.
O DHS informa que pessoas sem antecedentes criminais que utilizam o programa e estão aguardando a partida podem, após as verificações necessárias, receber prioridade menor para detenção e remoção pelo ICE enquanto aguardam a viagem programada.
A iniciativa faz parte da estratégia da administração Trump para reduzir a população imigrante sem situação legal no país sem recorrer, em todos os casos, ao processo tradicional de prisão, detenção e deportação.
O governo argumenta que a saída voluntária subsidiada também representa uma economia para os cofres públicos. Quando o benefício estava em US$ 2.600, o DHS estimava que uma saída pelo CBP Home custava aproximadamente US$ 5.100, enquanto uma deportação realizada pelas autoridades poderia custar cerca de US$ 18.245.
Programa já foi utilizado por milhares de pessoas
O programa ganhou dimensão significativa ao longo de 2026. Dados obtidos pela Axios indicavam que, até 16 de julho, aproximadamente 132 mil pessoas haviam deixado os Estados Unidos por meio do Project Homecoming, enquanto cerca de 70 mil estavam inscritas e ainda passavam pelo processo de saída.
A ampliação do incentivo para US$ 3 mil mostra que o governo pretende continuar utilizando benefícios financeiros como instrumento para convencer mais pessoas a deixarem o país por conta própria.
Para a administração Trump, a alternativa permite acelerar as saídas e reduzir os custos associados às operações de prisão e deportação. Para o imigrante, porém, aceitar o benefício exige atenção às possíveis consequências jurídicas.
Quem tem pedido de asilo deve ter atenção
Um dos principais alertas envolve pessoas que possuem pedido de asilo pendente. Segundo as orientações do próprio governo, deixar os Estados Unidos enquanto um pedido de asilo está em andamento pode resultar, em regra, na consideração de que a solicitação foi abandonada.
Também existem situações envolvendo pessoas que respondem a processos perante uma corte de imigração ou que já possuem uma ordem final de remoção.
No caso de um processo ainda pendente na corte, o DHS informa que pode apresentar uma solicitação para que o procedimento seja encerrado após a participação no programa. Para quem já possui uma ordem final de remoção, entretanto, a partida poderá ser considerada cumprimento daquela ordem, o que pode produzir consequências migratórias futuras.
Por isso, o próprio governo recomenda que pessoas com dúvidas sobre sua situação jurídica considerem buscar orientação legal antes de decidir pela saída.
Receber os US$ 3 mil não garante retorno aos EUA
Outro ponto importante é que participar do CBP Home não significa receber autorização ou preferência para voltar legalmente aos Estados Unidos no futuro.
O DHS afirma que a saída voluntária pode, dependendo das circunstâncias individuais, preservar ou melhorar determinadas possibilidades futuras em comparação com uma deportação forçada. Isso, entretanto, não elimina automaticamente impedimentos existentes nem garante a aprovação de visto, Green Card, parole ou qualquer outro benefício migratório.
As consequências dependem do histórico de cada pessoa, incluindo tempo de permanência irregular, existência de ordem de deportação, entradas anteriores no país e outros fatores previstos na legislação.
Com o bônus elevado para US$ 3 mil, passagem de retorno custeada pelo governo e assistência para organizar a viagem, a administração Trump reforça uma política que apresenta aos imigrantes duas alternativas bastante distintas: deixar voluntariamente o país utilizando o programa ou permanecer sujeitos às ações de fiscalização e aos procedimentos de remoção conduzidos pelas autoridades migratórias.
Para quem possui algum processo ou possibilidade de regularização em andamento, entretanto, a decisão de aderir ao programa pode ter efeitos permanentes. Por isso, o incentivo financeiro é apenas uma parte de uma escolha que pode definir o futuro migratório do participante nos Estados Unidos.





