Da Redação
Mais de 7 mil imigrantes salvadorenhos que vivem em Massachusetts podem ser diretamente afetados pelo fim do Temporary Protected Status (TPS) de El Salvador, previsto para esta quarta-feira, 9 de setembro. Diante da proximidade do prazo, o senador federal Ed Markey, de Massachusetts, aumentou a pressão para que o Congresso encontre uma solução que permita a esses imigrantes permanecer legalmente nos Estados Unidos.
De acordo com estimativas da UMass Boston citadas pela imprensa local, aproximadamente 7.350 salvadorenhos beneficiários do TPS vivem em Massachusetts. Muitos estão estabelecidos há anos em cidades como Chelsea, Revere, Everett, Somerville, Lynn e Boston.
A situação ganhou urgência após o Serviço de Cidadania e Imigração dos Estados Unidos (USCIS) informar, em comunicado divulgado em 3 de setembro, que a atual designação do TPS para El Salvador e os benefícios associados ao programa estão programados para terminar em 9 de setembro de 2026.
O encerramento poderá afetar tanto a proteção contra deportação quanto as autorizações de trabalho concedidas com base no programa. A consequência, porém, dependerá da situação migratória individual de cada beneficiário, já que algumas pessoas podem possuir outros processos ou formas de autorização para permanecer no país.
Em meio à incerteza, Markey defendeu que salvadorenhos que construíram suas vidas nos Estados Unidos tenham a possibilidade de obter um status migratório permanente.
O senador argumenta que muitos beneficiários do TPS já fazem parte das comunidades onde vivem, trabalham, criam seus filhos, pagam impostos e mantêm vínculos familiares e econômicos estabelecidos ao longo de décadas.
A posição de Markey acompanha a mobilização de organizações de defesa dos imigrantes e outros parlamentares que pressionam o Congresso e o governo federal por uma alternativa antes que milhares de famílias fiquem sem a proteção temporária.
O TPS não concede automaticamente Green Card ou cidadania. Criado pela legislação norte-americana, o programa permite que cidadãos de determinados países permaneçam temporariamente nos Estados Unidos quando guerras, desastres naturais ou outras condições extraordinárias tornam inseguro o retorno ao país de origem.
El Salvador está entre os países com uma das designações de TPS mais antigas. O programa foi concedido aos salvadorenhos em 2001, após dois terremotos devastadores atingirem o país.
Desde então, sucessivos governos norte-americanos renovaram a proteção, fazendo com que parte dos beneficiários esteja legalmente protegida pelo programa há mais de duas décadas.
Em nível nacional, cerca de 170 mil salvadorenhos são apontados como beneficiários da proteção, o que transforma o possível encerramento em uma questão com repercussões muito além de Massachusetts.
Para organizações comunitárias, uma das principais preocupações envolve famílias de status migratório misto, nas quais pais protegidos pelo TPS possuem filhos nascidos nos Estados Unidos e, portanto, cidadãos americanos.
Apesar da preocupação, o término da proteção não significa que todos os beneficiários serão automaticamente deportados em 10 de setembro.
Cada caso possui circunstâncias próprias. Imigrantes podem ter pedidos de residência, asilo, processos familiares ou outras possibilidades previstas pela legislação migratória. Especialistas recomendam que beneficiários procurem orientação jurídica individual antes de tomar qualquer decisão.
Sem outra base legal para permanecer nos Estados Unidos, entretanto, o encerramento do TPS poderá deixar milhares de salvadorenhos sem a proteção contra remoção e sem autorização de trabalho vinculada ao programa.
Com o prazo chegando ao fim, organizações de defesa dos imigrantes e parlamentares continuam pressionando por uma solução. Para Markey, depois de décadas construindo suas vidas nos Estados Unidos, essas famílias precisam de algo além de sucessivas extensões temporárias: um caminho que lhes permita conquistar residência permanente no país.





