Um caso envolvendo uma família mexicana em Austin, no Texas, ganhou repercussão após um menino de cinco anos ser encaminhado com o pai para uma unidade de processamento migratório em Dilley, nas proximidades de San Antonio.
A ação ocorreu no domingo, 16 de agosto. Segundo o Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos (DHS), Victor Martinez Nieto foi abordado durante uma fiscalização de trânsito e ficou sob custódia do Serviço de Imigração e Controle de Alfândegas (ICE). O filho, Liam Tadeo, permaneceu com ele.
Familiares afirmam que Liam deveria iniciar o jardim de infância nesta semana. Em uma declaração divulgada pela organização FWD.us, a mãe pediu que pai e filho possam retornar para casa e destacou que a criança deveria estar frequentando a escola e convivendo com a família.
De acordo com o DHS, Martinez Nieto é cidadão mexicano e não possui autorização migratória para permanecer nos Estados Unidos. As autoridades afirmam que ele já havia passado por um procedimento migratório no final de 2025 e deixou o país em 12 de fevereiro de 2026 após aceitar uma saída voluntária.
Ainda segundo o governo, Martinez Nieto teria retornado posteriormente aos Estados Unidos sem autorização. Agora, seu processo migratório volta a ser analisado pelas autoridades.
Governo afirma que pai e filho permanecerão juntos
O DHS informou que Liam permanece ao lado do pai enquanto o caso segue os procedimentos previstos pela legislação migratória.
Segundo o departamento, pais que passam por processos de remoção podem optar por permanecer acompanhados dos filhos ou indicar uma pessoa considerada segura para assumir temporariamente os cuidados das crianças.
O governo também afirma que a unidade de Dilley possui estrutura destinada ao atendimento de famílias, incluindo espaços educacionais, professores, materiais escolares e assistência médica.
O local já esteve no centro de debates sobre as condições oferecidas às famílias que aguardam decisões relacionadas à imigração. Organizações e ativistas defendem mudanças no modelo utilizado na unidade.
O caso de Liam Tadeo também chamou atenção por ocorrer no mesmo centro para onde havia sido encaminhado Liam Conejo Ramos, outro menino de cinco anos que acompanhava o pai após uma ação migratória em Minnesota. O episódio anterior teve ampla repercussão nacional.
Caso provoca reações políticas
O deputado federal Greg Casar, que representa uma região de Austin, criticou a situação e afirmou que Liam deveria estar começando o jardim de infância nesta semana. O parlamentar defendeu a liberação da família e voltou a pedir mudanças na política de permanência de crianças em instalações migratórias.
Lauren B. Peña, candidata republicana à Câmara dos Representantes pelo 37º Distrito do Texas, apresentou uma posição diferente. Ela argumentou que manter o menino junto ao pai evita a separação familiar e manifestou apoio à atuação das autoridades migratórias.
Fontes consultadas pela emissora KXAN indicaram que a ação em Austin teria sido conduzida pelo ICE, sem participação direta das forças policiais municipais ou estaduais.
Enquanto o processo segue em andamento, Liam e o pai permanecem juntos em Dilley. O episódio volta a colocar no centro do debate nacional a situação de famílias com crianças pequenas durante procedimentos relacionados à aplicação das leis de imigração nos Estados Unidos.





