A forma como o governo do presidente Donald Trump vem conduzindo parte das ações de imigração nos Estados Unidos passou a ser questionada por um integrante do próprio Partido Republicano. O deputado federal Don Bacon, representante de Nebraska, defendeu uma revisão da estratégia utilizada em casos envolvendo imigrantes sem histórico criminal.
O congressista, que apoia medidas mais rígidas na fronteira e a retirada do país de pessoas consideradas uma ameaça à segurança pública, afirmou que é necessário estabelecer prioridades na fiscalização. Para ele, concentrar recursos em moradores que não cometeram crimes e estão integrados às comunidades pode produzir situações injustas e desnecessárias.
A manifestação ocorreu após Bacon acompanhar a situação de Mariana Juarez, de Omaha, em Nebraska. De acordo com informações apresentadas pelo parlamentar, ela não possui antecedentes criminais, vive há anos na comunidade e deverá comparecer às autoridades migratórias em 18 de setembro para cumprir uma determinação de saída dos Estados Unidos.
O caso levou Bacon a tornar pública sua insatisfação. Em entrevista à Newsweek e posteriormente nas redes sociais, ele afirmou que algumas decisões recentes perderam o equilíbrio necessário na aplicação das normas migratórias. Ao comentar determinadas medidas, o republicano utilizou expressões como “desumanas”, “indecentes” e “anticristãs”.
Apesar das críticas ao Executivo, Bacon também direcionou sua cobrança ao Congresso. Na avaliação do deputado, parte dos problemas enfrentados atualmente está relacionada à falta de atualização das leis de imigração. Ele defende que deputados e senadores avancem em mudanças capazes de diferenciar situações envolvendo riscos à segurança daqueles casos de pessoas sem registros criminais e com raízes estabelecidas no país.
A Casa Branca respondeu afirmando que a administração está executando a legislação atualmente em vigor. A porta-voz Lauren Bis declarou à Newsweek que cabe ao governo aplicar as normas aprovadas pelo Congresso.
O governo também voltou a mencionar o CBP Home, ferramenta disponibilizada para pessoas que optem por deixar voluntariamente os Estados Unidos. Segundo a administração, participantes elegíveis podem receber passagem para o país de destino e um auxílio financeiro de US$ 2.600.
A manifestação de Bacon evidencia que o debate sobre imigração não está restrito à disputa entre republicanos e democratas. Mesmo entre parlamentares favoráveis ao fortalecimento da fiscalização, começam a surgir questionamentos sobre quais casos devem receber prioridade e como conciliar o cumprimento das leis com as circunstâncias individuais de famílias e moradores estabelecidos no país.





