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Rejeição de pedidos de asilo chega a 94% nas cortes de imigração dos Estados Unidos

Dados de junho de 2026 mostram apenas 5,5% de concessões; autoridades também mantêm ações contra fraudes migratórias, mas números não permitem concluir que a maioria dos pedidos negados seja fraudulenta

Publicado em 09/12/26
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Rejeição de pedidos de asilo chega a 94% nas cortes de imigração dos Estados Unidos

Da Redação

A taxa de rejeição de pedidos de asilo analisados por juízes de imigração nos Estados Unidos atingiu 94,1% em junho de 2026, um dos números mais expressivos registrados no sistema migratório americano. No mesmo mês, apenas 5,5% dos casos decididos resultaram na concessão de asilo, enquanto outros 0,4% tiveram o asilo negado, mas receberam alguma outra forma de proteção migratória.

Os dados fazem parte de uma análise divulgada pelo Transactional Records Access Clearinghouse (TRAC), organização independente que acompanha registros das cortes de imigração. Segundo o levantamento, somente 771 pessoas receberam asilo em junho, menos de um quarto do número registrado três anos antes.

O aumento das negativas ocorre em meio a profundas mudanças no sistema de cortes migratórias e ao esforço do governo Trump para acelerar a conclusão de processos.

De acordo com o TRAC, mais de 14 mil decisões envolvendo asilo foram concluídas somente em junho. Em abril e maio, o número também havia ultrapassado 13 mil por mês.

O levantamento aponta ainda uma transformação significativa no quadro de juízes de imigração. Entre os anos fiscais de 2025 e 2026, 279 juízes foram demitidos ou deixaram seus cargos, número equivalente a aproximadamente 38% dos 735 magistrados que estavam no sistema ao final do ano fiscal de 2024.

Ao mesmo tempo, segundo o TRAC, 192 novos juízes foram contratados em 2026, além da entrada de 53 juízes temporários. No total, 743 magistrados decidiram casos de asilo durante o ano fiscal de 2026 até o período analisado.

A queda nas aprovações, entretanto, não começou neste ano. O TRAC afirma que a taxa nacional de concessão de asilo já vinha diminuindo nos últimos anos. Ao final do governo Biden, estava em aproximadamente 32%, depois de ter superado 50% anteriormente. A redução continuou e se intensificou durante a atual administração Trump.

Fraudes também estão na mira das autoridades

Paralelamente ao endurecimento das decisões, autoridades federais continuam investigando fraudes envolvendo pedidos de benefícios migratórios, incluindo casos nos quais histórias ou documentos teriam sido fabricados para sustentar pedidos de asilo.

Há investigações que envolvem não apenas solicitantes, mas também pessoas que oferecem serviços migratórios. Em janeiro de 2026, por exemplo, promotores federais da Pensilvânia anunciaram acusações contra uma mulher que administrava uma empresa de serviços de imigração. Ela foi acusada, entre outros crimes, de oito episódios de fraude de asilo. Segundo a acusação, ela se apresentava falsamente como advogada de imigração, embora não tivesse licença nem autorização para representar clientes perante as autoridades migratórias. As acusações ainda precisam ser provadas em tribunal.

O próprio Executive Office for Immigration Review (EOIR) mantém um Fraud and Abuse Prevention Program, destinado a combater fraude e abuso relacionados aos procedimentos perante as cortes de imigração.

Rejeição de 94% não significa 94% de fraude

Apesar das denúncias e investigações, é importante fazer uma distinção: os dados disponíveis não mostram que 94% dos pedidos tenham sido considerados fraudulentos.

A taxa de 94,1% representa casos em que o juiz não concedeu asilo, o que pode acontecer por diferentes razões jurídicas e probatórias. Um solicitante pode ser considerado inelegível, não conseguir demonstrar os requisitos legais para proteção, enfrentar problemas de credibilidade ou ter seu pedido rejeitado por outros fundamentos previstos na legislação.

O próprio TRAC alerta que os resultados variam de acordo com diversos fatores, incluindo o perfil dos casos analisados, a nacionalidade do solicitante, se a pessoa está ou não detida, as políticas migratórias vigentes e, de maneira importante, se o imigrante possui representação jurídica.

Decisões recentes do Board of Immigration Appeals também mostram maior atenção às inconsistências apresentadas nos processos. Em um precedente publicado em 2026, por exemplo, o BIA concluiu que um juiz havia errado ao considerar um solicitante de asilo crível sem analisar adequadamente diversas inconsistências entre seu depoimento, documentos e declarações anteriores.

Sistema enfrenta enorme volume de processos

A discussão sobre fraudes acontece ainda dentro de um sistema sobrecarregado. O EOIR publica regularmente estatísticas sobre casos pendentes, novos processos, decisões de asilo e representação jurídica, reconhecendo que os registros são constantemente atualizados à medida que novas informações entram no banco de dados das cortes.

Para as autoridades, combater pedidos fraudulentos é uma questão de preservar a integridade do sistema e impedir que recursos públicos sejam consumidos por processos sem fundamento legítimo. Ao mesmo tempo, especialistas em imigração destacam que fraude e rejeição são conceitos diferentes e que alegações generalizadas de pedidos falsos precisam ser sustentadas por dados específicos.

O número de junho, portanto, revela sobretudo uma realidade objetiva: conseguir asilo diante de um juiz de imigração nos Estados Unidos tornou-se muito mais difícil. Com uma taxa de concessão de apenas 5,5%, solicitantes enfrentam atualmente um dos cenários mais restritivos registrados pelas estatísticas analisadas pelo TRAC.

Fonte: Brazilian Times

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