A disputa econômica entre Estados Unidos e Canadá entrou em uma nova fase nesta segunda-feira (24). O presidente Donald Trump informou que pretende cobrar uma taxa de 50% sobre automóveis, caminhões, peças para veículos e aço canadense a partir de 1º de janeiro de 2027.
A decisão amplia a pressão de Washington sobre Ottawa poucos dias depois de uma tentativa de entendimento terminar sem acordo. Os dois governos vinham negociando mudanças nas condições de comércio entre os países, mas divergências em diferentes setores impediram um acerto.
Ao justificar a medida, Trump voltou a reclamar do tratamento dado pelo Canadá aos produtos americanos, especialmente no setor agrícola. O presidente atribuiu às políticas canadenses parte do desequilíbrio comercial entre os dois países e defendeu que empresas interessadas em evitar as novas cobranças aumentem a fabricação de produtos dentro dos Estados Unidos.
A declaração desta segunda-feira também elevou o tom político entre os vizinhos. Trump afirmou que a economia canadense depende fortemente do mercado americano e voltou a rejeitar as condições comerciais atualmente adotadas pelo Canadá.
Ottawa mantém possibilidade de novas negociações
Do lado canadense, o primeiro-ministro Mark Carney indicou que o anúncio já era esperado diante dos acontecimentos dos últimos dias. Mesmo assim, afirmou que não considera encerrada a possibilidade de construir um entendimento com Washington.
A situação mudou rapidamente durante a última semana. Na terça-feira (18), a implementação de uma tarifa de 50% havia sido temporariamente adiada enquanto representantes dos dois governos buscavam uma solução. Naquele momento, havia expectativa de que um acordo pudesse ser concluído.
As conversas, porém, terminaram na sexta-feira (21) sem consenso. No sábado (22), os Estados Unidos passaram a aplicar tarifas sobre cerca de US$ 20 bilhões em mercadorias canadenses.
Ottawa reagiu e anunciou que também aumentará a cobrança sobre produtos americanos. A resposta canadense deverá começar a valer em setembro, seguindo uma estratégia de aplicar medidas proporcionais às adotadas por Washington.
Impasse envolve vários setores da economia
Embora automóveis e aço estejam entre os principais pontos da nova decisão americana, as diferenças entre os governos são mais amplas.
As negociações incluem temas relacionados à agricultura, energia, compras públicas, propriedade intelectual, serviços digitais, medicamentos e acesso de produtos americanos ao mercado canadense. Leite, aves, ovos, bebidas, aço e alumínio também estão entre os setores discutidos.
Outro tema importante é a utilização, pelos Estados Unidos, de regras comerciais relacionadas à segurança nacional para justificar determinadas tarifas.
O governo canadense também demonstrou resistência a propostas que, segundo Ottawa, poderiam reduzir sua liberdade para negociar futuros acordos com outros parceiros internacionais.
As negociações também envolveram questões relacionadas à província de Quebec, onde o francês é o idioma predominante. O governo canadense afirmou que algumas exigências dos Estados Unidos poderiam prejudicar medidas criadas para proteger a língua e a cultura francesas, como o apoio a conteúdos produzidos em francês e o uso do francês em plataformas digitais e nos rótulos de produtos.
Relação econômica enfrenta momento delicado
O aumento das barreiras comerciais pode ter consequências importantes para empresas dos dois lados da fronteira. Estados Unidos e Canadá possuem cadeias produtivas profundamente conectadas, principalmente nos setores automobilístico, industrial, energético e agrícola.
Para o Canadá, o mercado americano tem peso ainda maior: cerca de 70% das exportações canadenses seguem para os Estados Unidos.
Carney sustenta que seu governo continuará negociando, mas afirma que não aceitará condições consideradas prejudiciais aos interesses canadenses. Washington, enquanto isso, utiliza as tarifas como instrumento para tentar obter mudanças nas relações comerciais e estimular a produção dentro do território americano.
Com medidas já em vigor, novas cobranças anunciadas para 2027 e uma resposta canadense prevista para setembro, a disputa entra agora em um período de maior incerteza. O cenário também aumenta a atenção sobre o futuro da integração econômica entre Estados Unidos, Canadá e México.





